Setembro deve ter chuva acima da média e risco de temporais no Norte do RS
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Previsão indica temperaturas amenas, novas incursões de ar polar e maior frequência de chuva em áreas como o Planalto e a Serra; El Niño segue em fortalecimento
Setembro deve ser marcado por chuva frequente, períodos de frio e risco de temporais no Rio Grande do Sul. A previsão coloca a metade norte, incluindo áreas do Planalto e da Serra, entre as regiões com maior possibilidade de registrar precipitação acima da média histórica.
O cenário alcança Getúlio Vargas e municípios da região. A média climatológica utilizada pela Climatempo para setembro no município é de aproximadamente 173 milímetros, calculada a partir de 30 anos de dados de reanálise meteorológica.
A tendência mensal não indica uma distribuição uniforme da chuva. Enquanto a metade norte, a Serra e parte da Região Metropolitana de Porto Alegre podem registrar volumes acima do normal, áreas da Campanha, do Litoral Sul, da Costa Doce e da Fronteira Oeste aparecem com precipitação próxima ou ligeiramente abaixo da média.
Mesmo nas áreas com projeção de menor volume mensal, permanece a possibilidade de episódios pontuais de chuva intensa, granizo e ventos fortes.
Temperaturas devem ficar próximas ou abaixo da média
A combinação de nebulosidade, chuva e passagem de massas de ar polar deverá manter as temperaturas próximas ou abaixo do padrão de setembro em diferentes períodos.
O primeiro resfriamento mais intenso está previsto para o começo do mês, com possibilidade de geada nos três estados do Sul. No Rio Grande do Sul, o risco se concentra principalmente na Serra, nos Campos de Cima da Serra, na Campanha e em áreas próximas à fronteira com o Uruguai.
Para Getúlio Vargas e o Norte do Estado, os modelos indicam queda mais acentuada das temperaturas no primeiro fim de semana. O mês também poderá apresentar rápidas elevações de temperatura antes da chegada de novas frentes frias.
A previsão climática publicada pela Climatempo aponta três sistemas frontais na primeira quinzena. O primeiro atuou entre 31 de agosto e 1º de setembro. Outro deverá avançar entre os dias 3 e 4, acompanhado por uma massa de ar frio. Uma nova frente poderá chegar ao Estado por volta dos dias 11 e 12.
Temporais podem atingir todas as regiões
O encontro entre ar quente e úmido e massas de ar frio favorece a formação de tempestades no Rio Grande do Sul. Setembro poderá ter episódios de chuva intensa em curto período, descargas elétricas, granizo e rajadas fortes de vento.
A previsão mensal indica o ambiente favorável aos temporais, mas a localização e a intensidade dos eventos serão definidas conforme a aproximação de cada sistema. Os avisos meteorológicos emitidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia e pela Defesa Civil deverão orientar os alertas de curto prazo.
El Niño aumenta influência sobre o Sul
O El Niño está ativo e continua se fortalecendo no Oceano Pacífico Equatorial. O fenômeno altera a circulação atmosférica e costuma favorecer o aumento da chuva no Sul do Brasil.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, calcula probabilidade superior a 90% de o evento atingir a categoria “muito forte” durante a primavera e o verão de 2026/2027.
O Painel El Niño do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos aponta 69% de probabilidade de o episódio se tornar o mais intenso desde 1950. A intensidade máxima é esperada entre a primavera e o começo do verão.
O aquecimento acima do normal no Atlântico Sul também favorece a formação de áreas de baixa pressão e a manutenção da umidade sobre a Região Sul.
A projeção elaborada em conjunto por CPTEC/Inpe, Instituto Nacional de Meteorologia e Funceme indica maior probabilidade de chuva acima da faixa climatológica na Região Sul durante o trimestre de setembro a novembro, com destaque para o Rio Grande do Sul.
Chuva frequente exige atenção no campo
A recorrência de chuva e a baixa luminosidade já influenciam as culturas de inverno no Estado. Conforme o Boletim Integrado Agrometeorológico nº 35/2026, divulgado pela Secretaria Estadual da Agricultura, 28% das lavouras de trigo estavam em floração e 10% no enchimento de grãos no fim de agosto.
A umidade elevada aumentou o risco de doenças da espiga, especialmente giberela. O encharcamento também reduziu as condições para a entrada de máquinas, aplicação de defensivos e avanço da semeadura do milho.
A previsão de novos períodos chuvosos durante setembro mantém a necessidade de monitoramento das lavouras em fase reprodutiva e das janelas disponíveis para os trabalhos no campo.






