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Prefeitura de Erechim avalia instalação de canhões antigranizo

há 32 minutos
2 min de leitura

Administração analisa viabilidade e custo-benefício; Organização Meteorológica Mundial afirma que falta comprovação científica do efeito dos equipamentos nas nuvens

A instalação de canhões antigranizo em Erechim está em avaliação pela Prefeitura, que analisa o custo-benefício da proposta e as possíveis áreas para os equipamentos. Em reunião na quinta-feira (17), representantes de uma empresa apresentaram a tecnologia ao prefeito Paulo Polis e às equipes municipais responsáveis pela prevenção e resposta a emergências.

Na ocasião, Polis condicionou os próximos passos à avaliação da proposta. “Precisamos analisar onde ela é mais eficiente, quais áreas devem ser priorizadas e qual é o custo-benefício para o município”, afirmou. A administração informou que estudava a possibilidade de iniciar a instalação nos meses seguintes.

Já em entrevista à Rádio Cultura na segunda-feira (21), o presidente da Força Voluntária Alto Uruguai, Ronaldo Mânica, afirmou que três canhões seriam instalados até a entrada de 2027. Ele apontou Três Vendas, Koller e Progresso como possíveis locais e estimou que os procedimentos administrativos poderiam levar até três meses. O prazo é uma declaração de Mânica, sem confirmação documental da contratação ou do início da operação.

Segundo Mânica, a empresa responsável pela proposta estudou o histórico das tempestades e indicou pontos associados às áreas por onde os temporais costumam chegar ao município. “Vamos entrar em 2027 com os canhões instalados!”, declarou na entrevista.

Como funcionam os canhões e o que diz a ciência

Os chamados canhões antigranizo produzem pulsos sonoros por explosões e os direcionam para cima. Seus fabricantes defendem que essas ondas podem interferir na formação ou no crescimento das pedras de gelo. Essa é a proposta de funcionamento apresentada pelos fabricantes, cuja eficácia é questionada na literatura científica.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM), em posicionamento publicado em junho de 2025, afirma que ainda falta comprovação científica do efeito dos canhões antigranizo na escala das nuvens. A entidade também recomenda que responsáveis por novos projetos de modificação do tempo consultem especialistas independentes para avaliar os benefícios esperados, os riscos e as técnicas propostas.

Uma revisão científica publicada em 2006 por Jon Wieringa e Iwan Holleman examinou experiências com esses equipamentos e descreveu testes sem redução significativa dos danos nas áreas com canhões em comparação às áreas sem eles.

Debate começou antes do novo temporal

Em dois de junho, o vereador Ricardo Argenta (União Brasil) apresentou um pedido de estudo de viabilidade para a adoção de um sistema antigranizo em Erechim. O parlamentar solicitou avaliação dos custos de instalação e manutenção, da cobertura, do funcionamento e dos índices de efetividade, além da possibilidade de parcerias para financiar o projeto.

Na tarde de segunda-feira (21), depois da entrevista de Mânica, uma nova queda de granizo atingiu bairros de Erechim, entre eles Koller, Três Vendas, Aeroporto, Fátima, Industrial, Paiol, Jaboticabal e Presidente Vargas.

Foto: Divulgação / Prefeitura de Chapecó
Foto: Divulgação / Prefeitura de Chapecó

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