[ÁUDIO] Olho Vivo | 21/10/2026 - Após foco de Newcastle em SC, veterinária alerta produtores de Getúlio Vargas e região
No Olho Vivo, Joline Dalla Vecchia orientou a comunicação imediata de mortes e sinais suspeitos em aves e detalhou cuidados contra Newcastle e gripe aviária
Em entrevista ao programa Olho Vivo, da Rádio Sideral, nesta quarta-feira (21), a médica veterinária Joline Dalla Vecchia reforçou os cuidados contra a doença de Newcastle e a influenza aviária, conhecida como gripe aviária, após a confirmação de um foco de Newcastle no Oeste de Santa Catarina. Mortes súbitas, dificuldade para respirar e alterações de comportamento nas aves devem ser comunicadas imediatamente à Inspetoria de Defesa Agropecuária de Getúlio Vargas. A orientação vale tanto para granjas comerciais quanto para criações destinadas ao consumo das famílias.
A preocupação regional está relacionada à proximidade entre os aviários. Joline explicou que, em municípios como Getúlio Vargas, Estação, Ipiranga do Sul e Erebango, uma eventual ocorrência poderia exigir medidas de controle em uma área com centenas de granjas. Restrições de circulação também poderiam dificultar a entrega de ração, a retirada de ovos e o acesso a outras propriedades rurais.
“Não tem como blindar a granja. São medidas tomadas diariamente”, afirmou. A veterinária destacou que a conservação de telas, cercas e telhados precisa fazer parte da rotina de produtores e funcionários, inclusive após temporais que possam danificar as estruturas.
Quais sinais exigem atenção
Newcastle e influenza aviária são doenças causadas por vírus diferentes, investigadas pela vigilância sanitária diante de sinais respiratórios e neurológicos nas aves. Entre as alterações citadas por Joline estão respiração com o bico aberto, espirros, ruídos respiratórios, inchaço na cabeça, secreção nos olhos, pescoço torcido, movimentos descoordenados e dificuldade para caminhar. Prostração, redução do consumo de água e alimento e ovos deformados também merecem atenção.
Os sinais podem aparecer isoladamente ou em conjunto. Em situações de evolução rápida, as aves podem morrer antes de desenvolver alterações mais evidentes. Por isso, o produtor não deve esperar que toda a criação adoeça para pedir atendimento.
“Tendo dúvidas, notifiquem. A gente vai, a gente atende”, orientou Joline.
A notificação de suspeitas de Newcastle e influenza aviária é obrigatória e imediata. O Ministério da Agricultura e Pecuária inclui entre os critérios sinais compatíveis com essas doenças, mortalidade súbita e elevada e alterações de produção associadas ao aumento de mortes.
Proteção dos aviários e das criações domésticas
As medidas de biosseguridade buscam impedir a entrada e a circulação de agentes infecciosos nas propriedades. Nas granjas comerciais, Joline orientou a revisão das telas e a correção de frestas ou telhas quebradas que permitam o acesso de aves de vida livre. Também citou o controle de roedores, a vedação das composteiras e das caixas-d’água e a manutenção da limpeza.
O acesso de pessoas deve ser restrito, com troca de roupas e calçados conforme os procedimentos da granja. Pessoas, veículos e equipamentos podem transportar material contaminado entre locais.
“Uma granja comercial não é local de turismo, não é local de visita”, ressaltou.
Para quem cria aves no quintal, a recomendação é mantê-las, sempre que possível, em um espaço protegido que reduza o contato com aves silvestres. A concentração dos animais em uma área delimitada também facilita a observação de mudanças no comportamento, na alimentação e na mortalidade.
Joline explicou que a inspetoria realiza vistorias anuais nas granjas comerciais para avaliar o cumprimento das exigências sanitárias. A manutenção diária das condições verificadas, porém, depende de quem trabalha na propriedade.
Como ocorre a investigação
Após receber uma notificação, a equipe da inspetoria vai à propriedade para examinar as aves e levantar informações sobre o início dos sinais, as espécies criadas, a idade dos animais e possíveis contatos com fontes de contaminação. Joline informou que o atendimento deve ocorrer em até 24 horas.
Quando a avaliação indica necessidade de investigação laboratorial, os profissionais coletam amostras. A orientação ao produtor é não tentar tratar ou manipular as aves suspeitas por conta própria e seguir as determinações do serviço veterinário sobre a movimentação de animais enquanto aguarda o diagnóstico.
A recomendação estadual também é não se aproximar nem tentar socorrer aves doentes ou manipular animais mortos. A comunicação rápida permite que profissionais avaliem a situação e adotem as medidas necessárias.
Foco em Santa Catarina e restrições comerciais
O foco recente de Newcastle foi identificado em uma criação de aproximadamente seis mil perus em Nova Itaberaba, Santa Catarina. A detecção ocorreu durante a vigilância ativa, que procura a circulação do vírus por meio de coletas, mesmo sem uma notificação de doença pelo produtor.
A granja foi interditada, com suspensão da movimentação das aves. Os animais permaneceram na propriedade e não foram destinados à produção de carne para consumo. As medidas anunciadas pelo Ministério da Agricultura incluem eliminação das aves, limpeza e desinfecção.
O episódio já provocou restrições às exportações de produtos avícolas. Na atualização de terça-feira (20), o México havia suspendido importações de diferentes produtos provenientes de todo o Brasil, incluindo carne e miúdos de aves. China e Chile estabeleceram restrições a produtos de Santa Catarina. O governo brasileiro mantém negociações com os países compradores.
No Rio Grande do Sul, um foco de influenza aviária em aves de subsistência foi confirmado em Selbach em 5 de outubro. As equipes vistoriaram 70 propriedades no raio de três quilômetros e uma granja comercial, sem aves alojadas, no raio de 10 quilômetros. Em 7 de outubro, a Secretaria da Agricultura informou o encerramento do foco, sem novas suspeitas nas propriedades vistoriadas.
Sobre a alimentação, Joline esclareceu que a população não precisa interromper o consumo de carne de aves e ovos inspecionados. O Ministério da Agricultura também reafirmou a segurança dos produtos submetidos à inspeção sanitária oficial.
Como comunicar uma suspeita
Em Getúlio Vargas, o contato com a inspetoria pode ser feito pelo telefone e WhatsApp (54) 3341-4308, em horário comercial. O atendimento presencial ocorre de segunda a sexta-feira, junto à Prefeitura, ao lado da Secretaria do Meio Ambiente. O endereço da unidade é Rua Engenheiro Firmino Giradelo, 85.
Ao notificar, o produtor deve informar a localização da propriedade, o nome do responsável, um telefone para contato e os sinais observados. A Secretaria da Agricultura do Estado também recebe notificações pelo WhatsApp (51) 98445-2033.

![[ÁUDIO] Olho Vivo | 21/10/2026 - Após foco de Newcastle em SC, veterinária alerta produtores de Getúlio Vargas e região](https://static.wixstatic.com/media/1077ee_67c365b1f65940c996b2fbe44e7c6feb~mv2.webp/v1/fill/w_333,h_250,al_c,q_30,blur_30,enc_avif,quality_auto/1077ee_67c365b1f65940c996b2fbe44e7c6feb~mv2.webp)
![[ÁUDIO] Olho Vivo | 21/10/2026 - Após foco de Newcastle em SC, veterinária alerta produtores de Getúlio Vargas e região](https://static.wixstatic.com/media/1077ee_67c365b1f65940c996b2fbe44e7c6feb~mv2.webp/v1/fill/w_273,h_205,al_c,q_90,enc_avif,quality_auto/1077ee_67c365b1f65940c996b2fbe44e7c6feb~mv2.webp)



