Safra de verão no RS pode crescer 8,64% e chegar a 35,6 milhões de toneladas
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Estimativa aponta recuperação da produtividade mesmo com redução da área cultivada; excesso de chuva e endividamento preocupam para o ciclo 2026/2027
O Rio Grande do Sul pode colher 35,6 milhões de toneladas de grãos na safra de verão 2026/2027, crescimento de 8,64% sobre as 32,8 milhões de toneladas produzidas no ciclo anterior. A projeção combina uma área praticamente estável, com redução de 0,37%, e a expectativa de melhores resultados por hectare, principalmente nas lavouras de soja.
As estimativas iniciais foram apresentadas na terça-feira (1º) pela Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS) e pela Associação Sulina de Crédito e Assistência Rural (Ascar), durante a 49ª Expointer, em Esteio. O levantamento foi realizado entre 10 e 24 de agosto e abrangeu quase todos os municípios gaúchos produtores de soja, milho, milho para silagem, feijão e arroz.
A área destinada às quatro principais culturas de grãos deve somar 8,42 milhões de hectares, pouco abaixo do ciclo anterior. O avanço esperado na colheita depende especialmente da soja, cuja produção pode passar de 18,34 milhões para 21,15 milhões de toneladas, alta de 15,32%. A produtividade média foi calculada em 3.183 quilos por hectare, crescimento de 16,37%, enquanto a área deve recuar 0,92%, de 6,70 milhões para 6,64 milhões de hectares.
A redução corresponde a aproximadamente 61,6 mil hectares e deve se concentrar principalmente nas regiões administrativas da Emater de Porto Alegre e Soledade, onde as condições de solo, clima e risco produtivo pesam sobre a decisão dos agricultores.
Área de milho cresce, mas produtividade fica estável
O milho deve ocupar 896,4 mil hectares, aumento de 7,42% sobre os 834,5 mil hectares cultivados na safra passada. A produção foi estimada em 6,91 milhões de toneladas, 7,18% acima das 6,44 milhões anteriores. A produtividade, no entanto, deve ficar praticamente estável, com pequena redução de 0,25%, de 7.730 para 7.711 quilos por hectare.
Segundo o presidente da Emater/RS, Claudinei Baldissera, a ampliação da área está associada ao uso de irrigação, à qualidade das sementes e à presença do milho na rotação de culturas. A instituição também projeta crescimento discreto para o milho destinado à silagem: a área deve passar de 368,7 mil para 369,4 mil hectares, enquanto a produção pode aumentar 3,58%, de 13,69 milhões para 14,18 milhões de toneladas.
Para o feijão da primeira safra, a projeção indica redução de 6,36% na área, que deve ficar em 24,6 mil hectares. A produtividade pode crescer 8,10%, de 1.627 para 1.759 quilos por hectare, permitindo que a produção avance 1,20% e alcance 43,2 mil toneladas.
O arroz segue na direção contrária. A área deve diminuir 3,4%, de 891,9 mil para 861,8 mil hectares, enquanto a produção pode recuar 5,49%, de 7,97 milhões para 7,53 milhões de toneladas. A produtividade estimada caiu de 8.939 para 8.741 quilos por hectare, redução de 2,21%.
El Niño pode dificultar o plantio
As condições climáticas estão entre os principais fatores de incerteza da projeção. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta probabilidade superior a 90% de um El Niño muito forte entre setembro e novembro, com chuva acima da média histórica no Sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul.
O meteorologista Flávio Varone, coordenador do Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos do Rio Grande do Sul (Simagro), prevê uma primavera com temperatura e chuva acima da média no Estado. O excesso de umidade pode encurtar a janela de plantio, dificultar a entrada de máquinas nas propriedades, reduzir a luminosidade e favorecer doenças nas lavouras. Para o começo do verão, a preocupação se concentra em possíveis atrasos na semeadura e no desenvolvimento inicial das culturas.
Além do clima, o endividamento dos produtores e o custo dos seguros agrícolas e do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) podem restringir o acesso ao crédito e reduzir a capacidade de investimento. “Não existe margem para erro”, afirmou o diretor técnico da Emater/RS, Mateus Soares da Rocha, ao defender planejamento financeiro, avaliação dos riscos e acompanhamento das lavouras desde o pré-plantio até a comercialização.
A estimativa divulgada na Expointer é o primeiro levantamento para o novo ciclo e ainda poderá mudar conforme o andamento do plantio, o comportamento do clima e o desenvolvimento das lavouras.






