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Lideranças debatem implantação de Porto Seco em Erechim para impulsionar logística regional

  • há 29 minutos
  • 3 min de leitura

Com apoio de 32 prefeitos do Alto Uruguai, projeto visa otimizar o transporte de cargas e reduzir custos de importação e exportação para empresas locais

A Comissão de Acompanhamento para Implantação do Porto Seco de Erechim reuniu lideranças políticas, empresariais e institucionais na última segunda-feira (22) para alinhar estratégias e viabilizar a estrutura na região do Alto Uruguai. O encontro, realizado na sede da Associação Comercial, Cultural e Industrial de Erechim (ACCIE), teve como objetivo debater o impacto logístico e econômico da futura aduana regional.

O deputado estadual Paparico Bacchi, autor da proposta de criação da comissão, lidera a iniciativa. O grupo tem como presidente José Gelso Miola, que preside o Sindicato do Comércio Varejista do Alto Uruguai (Sindilojas Alto Uruguai) e é vice-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS), e como vice-presidente o vice-prefeito de Erechim, Flávio Tirello.

O encontro contou com a participação do especialista em comércio exterior Fábio Freitas Ciocca, diretor executivo (CEO) da Brasil Multivias Logística e Comércio Exterior. Ciocca, que preside o Sindicato das Empresas Comissárias de Despachos, Despachantes Aduaneiros, Agentes Transitários e de Logística em Comércio Internacional do Estado do Rio Grande do Sul (Sindacomex-RS) e a Câmara Empresarial Argentino-Brasileira do Rio Grande do Sul (CEAB-RS), apresentou dados técnicos sobre a viabilidade e os benefícios de uma estrutura aduaneira no município.

José Gelso Miola defendeu que o projeto supera interesses individuais. "Os interesses da região se sobrepõem às diferenças. Estamos construindo um projeto coletivo, pensando no desenvolvimento econômico e sustentável de toda a nossa região", afirmou.

Para o presidente da ACCIE, Darlan Della Rosa, a implantação exige planejamento de médio e longo prazo. "Quem não começa nunca termina. A iniciativa está muito bem conduzida e será um grande avanço para toda a região", disse.

O vice-prefeito de Erechim, Flávio Tirello, ressaltou que o sucesso da pauta depende da cooperação coletiva. "Se não trabalharmos juntos, não conseguiremos avançar. Precisamos descobrir de que maneira seremos efetivos para transformar esse projeto em realidade", declarou.

O presidente da Associação dos Municípios do Alto Uruguai (AMAU) e prefeito de Centenário, Genoir Florek, apontou a melhoria logística como gargalo para o desenvolvimento local. "A AMAU foi protagonista na busca de melhorias de acessos asfálticos e ligações regionais, e o Porto Seco vem para dar um passo a mais na logística, diminuindo custos de importação e exportação", explicou.

Florek exemplificou a demanda com o caso de um empresário de Centenário que necessitou deslocar equipes a Caxias do Sul para liberar cargas importadas, o que gerou custos extras. "Em nome dos 32 prefeitos do Alto Uruguai, estamos juntos para construir essa alternativa", acrescentou.

De acordo com o deputado Paparico Bacchi, o Porto Seco aumentará a competitividade local. "Estamos falando de uma estrutura capaz de fortalecer as empresas, ampliar oportunidades de exportação, atrair investimentos e criar novas possibilidades de crescimento", afirmou.

A reunião integra o cronograma de ações da comissão para reunir subsídios técnicos, ampliar apoios institucionais e estruturar a proposta de viabilidade econômica do empreendimento.

O que é um Porto Seco?

Um Porto Seco (tecnicamente classificado como Estação Aduaneira de Interior (EADI)) é um terminal alfandegado de uso público localizado em zona secundária (ou seja, no interior do país, fora dos portos marítimos e aeroportos tradicionais) ou em pontos de fronteira terrestre.

Regulamentado pela Receita Federal do Brasil, o Porto Seco funciona como um terminal intermodal terrestre diretamente conectado a vias de transporte (rodoviárias, ferroviárias ou hidroviárias). Ele serve para intermediar o fluxo de mercadorias importadas ou destinadas à exportação por meio das seguintes atividades básicas sob controle aduaneiro:

  • Despacho Aduaneiro: permite que a fiscalização e o desembaraço de cargas de importação ou exportação ocorram perto das empresas locais, desafogando os gargalos dos portos de entrada principais.

  • Movimentação e Armazenagem: oferece serviços de estocagem sob regimes aduaneiros especiais (como entrepostamento aduaneiro, em que o pagamento de impostos é suspenso temporariamente até a nacionalização da carga).

  • Serviços de Valor Agregado: atua na consolidação e desconsolidação de contêineres, pesagem, limpeza, desinfecção e vistorias de órgãos reguladores (como o Ministério da Agricultura e Pecuária).

Benefícios Logísticos: Para as empresas regionais, a presença de um Porto Seco elimina a necessidade de enviar equipes ou despachantes até litorais e fronteiras distantes para liberação de mercadorias, barateando custos operacionais e acelerando significativamente a cadeia de distribuição.

Foto: Divulgação / AMAU
Foto: Divulgação / AMAU

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