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Guerra entre Rússia e Ucrânia entra no quinto ano sem definição militar e trava negociação por paz

  • há 12 horas
  • 3 min de leitura

Conflito iniciado em 24 de fevereiro de 2022 acumula até 2 milhões de baixas e mantém cerca de 20% do território ucraniano sob controle russo, segundo centro de estudos estratégicos dos Estados Unidos

Quatro anos após o início da ofensiva russa em larga escala contra a Ucrânia, o confronto permanece sem definição militar clara e sem acordo político à vista. Dados consolidados por centros de análise internacional indicam que Moscou mantém aproximadamente 120 mil km² sob controle — o equivalente a cerca de 20% do território ucraniano —, mas os avanços recentes ocorrem em ritmo reduzido e com elevado custo humano.

Avanço territorial não altera impasse estratégico

Levantamento publicado no fim de janeiro pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), organização sediada em Washington dedicada à análise geopolítica, aponta que a Rússia ampliou sua ocupação territorial em cerca de 0,6% ao longo de 2024 e 0,8% em 2025. As ofensivas registram progressões médias estimadas entre 15 e 70 metros por dia em setores considerados estratégicos.

Segundo o estudo, a dinâmica atual caracteriza uma guerra de atrito, modelo em que ambos os lados priorizam desgastar recursos humanos, militares e econômicos do adversário, mesmo com ganhos territoriais limitados.

A estratégia já integrou campanhas militares russas em diferentes períodos históricos, baseando-se na capacidade de mobilização populacional e na profundidade territorial do país.

Baixas elevadas e divergência de números

O CSIS estima que as forças russas acumularam quase 1,2 milhão de baixas — incluindo mortos, feridos e desaparecidos — desde fevereiro de 2022. A proporção indicada pelo centro é de aproximadamente duas a duas vezes e meia mais perdas russas do que ucranianas.

Em relação aos mortos, os números variam conforme a fonte. A Organização das Nações Unidas contabiliza ao menos 15.172 civis ucranianos mortos até o momento. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, declarou em fevereiro que 55 mil militares do país morreram no conflito, enquanto estimativas do CSIS indicam até 140 mil.

Do lado russo, não há divulgação oficial regular. Levantamento da BBC aponta ao menos 160 mil militares mortos. O CSIS projeta cerca de 325 mil mortos russos entre fevereiro de 2022 e dezembro de 2025.

Somadas as perdas civis e militares de ambos os lados, as estimativas indicam que o total de baixas pode atingir entre 1,8 milhão e 2 milhões até o fim de março.

Pressão econômica e limites da economia de guerra

Mesmo sob sanções impostas por países ocidentais, a economia russa manteve funcionamento sustentado por gastos militares e reorientação comercial. O estudo do CSIS, porém, registra desaceleração do crescimento econômico para 0,6% em 2025, além de retração em setores industriais civis e pressão sobre cadeias tecnológicas.

A Ucrânia mantém capacidade defensiva apoiada por financiamento e fornecimento de equipamentos por parte dos Estados Unidos e países europeus.

Negociações sem consenso territorial

Tentativas recentes de mediação conduzidas pelos Estados Unidos não resultaram em acordo. Desde janeiro de 2025, o presidente norte-americano Donald Trump passou a defender solução negociada, mas as conversas não avançaram.

O governo ucraniano mantém posição pública de não reconhecer a anexação de territórios ocupados, inclusive áreas sob controle russo desde 2014, como a Crimeia e partes das regiões de Donetsk e Luhansk.

O conflito começou em 24 de fevereiro de 2022 com ofensiva simultânea por terra, mar e ar contra o território ucraniano. As tensões, no entanto, remontam a 2014, após a deposição do então presidente Viktor Yanukovitch e a posterior anexação da Crimeia pela Rússia.

Sem alteração significativa nas linhas de frente e com posições políticas incompatíveis, a guerra entra no quinto ano sem definição militar e sem acordo diplomático firmado.

Foto: AP Photo/Sergei Grits
Foto: AP Photo/Sergei Grits

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