Criminosos procuram vítimas parecidas com eles para tentar burlar reconhecimento facial
- há 9 horas
- 2 min de leitura
Chamado de golpe do sósia, método usa comparação de imagens para escolher identidades; consumidores podem consultar contas em seu nome e ativar proteção contra novas aberturas
Criminosos usam ferramentas de comparação facial para encontrar pessoas parecidas com eles e tentar assumir suas identidades em cadastros e aberturas de contas. A prática, chamada de golpe do sósia, foi identificada pela Serasa Experian e descrita no Mapa da Fraude referente ao primeiro semestre de 2026.
A escolha da vítima começa pelo rosto do próprio fraudador. Ele compara sua imagem com fotografias de outras pessoas, inclusive em bases de dados vazadas, até encontrar alguém com aparência semelhante. Depois, tenta usar a identidade selecionada para passar pela verificação facial. A descrição do método mostra uma inversão em relação às fraudes nas quais o criminoso primeiro obtém os dados de uma pessoa e só então procura como se passar por ela.
“A biometria não deve atuar de forma isolada”, afirma Leandro Bartolassi, diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian. A empresa recomenda combinar reconhecimento facial, conferência de documentos, prova de vida, dados cadastrais e análise do aparelho utilizado.
No conjunto das fraudes de identidade, a Serasa informa ter barrado 2,86 milhões de tentativas no primeiro semestre, alta de 32,9% sobre 2025, com prejuízo evitado estimado em R$ 3,77 bilhões. Esses números abrangem diferentes modalidades, não apenas o golpe do sósia.
Entre os cuidados recomendados aos consumidores estão:
Evitar o envio de fotos de documentos e selfies com documentos por mensagens ou redes sociais.
Fornecer imagens e dados pessoais somente em sites e aplicativos oficiais.
Desconfiar de solicitações inesperadas de reconhecimento facial, especialmente por links recebidos.
Não permitir que desconhecidos fotografem o rosto ou documentos sob a justificativa de atualizar cadastros.
Manter aplicativos atualizados e usar senhas fortes e verificação em duas etapas.
Para acompanhar possíveis usos indevidos dos dados, o consumidor pode consultar no Registrato, do Banco Central, informações sobre contas bancárias e empréstimos vinculados ao seu Cadastro de Pessoas Físicas (CPF). Ao encontrar uma conta ou cartão que não reconhece, a orientação do Ministério da Justiça e Segurança Pública é procurar imediatamente a instituição pelos canais oficiais, solicitar o bloqueio e guardar o protocolo do atendimento.
O ministério também recomenda registrar boletim de ocorrência, reunir comprovantes e compartilhar o registro com o banco. A consulta periódica ajuda a identificar outros vínculos desconhecidos.
Outra opção preventiva é ativar o BC Protege+, serviço gratuito pelo qual o cidadão informa que não autoriza novas contas em seu nome. O acesso ocorre pelo Meu BC, com conta gov.br de nível prata ou ouro e verificação em duas etapas habilitada. Quando quiser abrir uma conta, o usuário precisa desativar a proteção.






