top of page

[ÁUDIO] Olho Vivo | 19/05/2026 - Carlos Magrão visita estúdios da Rádio Sideral em "turnê" com a Sicredi Sul Minas

  • há 2 horas
  • 4 min de leitura

Com shows exclusivos para associados e convites solidários que revertem fundos para entidades locais, cooperativa de crédito e ícone da música nativista mobilizam municípios da região

Em entrevista à Rádio Sideral nesta terça-feira (19), o presidente da Sicredi Sul Minas RS/MG, Euzébio Rodigheiro, e o cantor Carlos Magrão relataram que as celebrações de 45 anos da cooperativa, marcadas por encontros com os associados, estão convertendo a paixão pela música nativista em um grande fundo de auxílio financeiro para entidades beneficentes locais.

A iniciativa, com apresentação do artista em todas as cidades gaúchas onde os encontros acontecem, está lotando ginásios e salões comunitários. Na noite de segunda-feira (18), mais de 520 pessoas prestigiaram o espetáculo em Erebango. Hoje, terça-feira, é a vez de Getúlio Vargas receber a atração no Centro Comunitário Centenário, com credenciamento às 19h e início às 19h30. Os ingressos, exclusivos para associados, são disponibilizados mediante uma contribuição voluntária, cujo montante acumulado é doado integralmente a instituições sociais do próprio município anfitrião.

Um encontro de solidariedade e cooperativismo

Para o presidente da Sicredi Sul Minas RS/MG, Euzébio Rodigheiro, o sucesso de público e de arrecadação reflete o DNA da cooperativa: integrar desenvolvimento financeiro à responsabilidade social e cultural.

"É um momento de muito orgulho. Mais do que comemorar os 45 anos da nossa cooperativa, queremos levar aos associados o nosso reconhecimento, além de transmitir conhecimento, cultura e solidariedade. Nenhuma de nossas apresentações contou com menos de 450 pessoas presentes. Passamos por Sertão, Jacutinga, Floriano Peixoto, Quatro Irmãos e, ontem, a casa cheia em Erebango com 520 associados. O mais importante é que tudo o que é arrecadado em cada praça fica na própria cidade para apoiar entidades sociais e filantrópicas sem fins lucrativos", enfatizou Rodigheiro.

O dirigente reforçou que o cronograma segue rígido para garantir o bom andamento dos jantares servidos após os espetáculos. Após Getúlio Vargas, o encontro acontece em Ipiranga do Sul na quarta-feira (20) e encerra na quinta-feira (21), em Estação.

Das batidas do rock aos acordes nativistas

Convidado de honra da instituição para liderar a turnê, Carlos Magrão aproveitou o espaço nos microfones da Rádio Sideral para resgatar passagens pitorescas de sua trajetória de décadas na estrada. Natural de Campo Novo (RS), o músico revelou que seu primeiro contato com as cordas e foles veio de seu pai, um humilde agricultor que dividia as lidas na lavoura com apresentações de gaita e violão nas festas comunitárias da paróquia local.

Ainda jovem, aos 17 anos, Magrão se mudou para Passo Fundo para continuar os estudos, mas foi fisgado pela efervescência musical da cidade. Diferente do que muitos imaginam, seus primeiros anos nos palcos profissionais não foram sob a égide do tradicionalismo.

"A minha base nos primeiros três anos em Passo Fundo foi a música popular brasileira e o rock 'n' roll clássico. Toquei muito em uma banda chamada Reflexo Som. A gente interpretava desde Deep Purple, Pink Floyd até Beatles. Eu era um gaúcho do interior, mas que já olhava para a modernidade daquela época. Eu já tocava gaita desde os oito anos de idade nos CTGs, mas aquela bagagem do rock e da MPB me deu uma base de arranjos que eu usei para o resto da vida quando retornei ao nativismo", revelou Carlos Magrão.

O estourar de "Querência Amada" e a parceria com Oswaldir

A transição definitiva para a música gaúcha de raiz ocorreu quando o músico Oswaldir o descobriu em Passo Fundo. Dono do bar Recanto Nativo, Oswaldir contratou Carlos Magrão como músico da casa. O entrosamento foi tamanho que deu origem à dupla que durou quase 33 anos na estrada.

Um dos episódios mais marcantes recordados pelo cantor foi a gravação de Querência Amada, clássico de Teixeirinha, que se tornou um hino informal do Rio Grande do Sul. O estouro nacional aconteceu quando a dupla morava em São Paulo, logo após vencer o festival nacional Rimo-Shell com a música de sátira política Tetinha, concorrendo contra mais de duas mil composições de todo o país.

"Nós gravamos Querência Amada em São Paulo, quase de forma despretensiosa. Ela demorou um pouco para acontecer. Mas quando voltamos para o Rio Grande do Sul, o capitão Adilson, que jogava no Grêmio, começou a cantá-la nas concentrações e jogos. Pouco depois, a Rádio Gaúcha nos chamou para fazer uma apresentação no Estádio Olímpico. Entramos no carrinho-maca do estádio, ao lado de Paulo Sant'Ana e do lateral-esquerdo Roger, e cantamos para mais de 60 mil pessoas que acompanharam o coro. Dali em diante, a música virou um fenômeno imparável de vendas", relembrou Magrão, emocionado.

O resgate histórico de Gildo de Freitas e a carreira solo

Em carreira solo desde que a dupla se desfez (trajetória solo que completará nove anos em outubro de 2026), Carlos Magrão mantém o mesmo ímpeto de garimpar preciosidades sonoras. O cantor revelou em primeira mão que está trabalhando na produção de uma música inédita deixada pelo lendário Gildo de Freitas.

"No leito de morte, o Gildo escreveu a letra de uma canção muito forte, que fala sobre a importância de visitarmos as pessoas doentes e darmos atenção a quem está nos hospitais. Uma neta dele encontrou essa composição guardada e ela chegou até mim por meio de amigos produtores. Estamos elaborando um arranjo muito especial para dar vida a essa letra inédita de um dos maiores ícones da nossa história", revelou o artista.

Questionado sobre seu método para emplacar sucessos, o compositor foi enfático ao defender que a música gaúcha necessita de alma antes de pensar em métricas comerciais: "Eu escolho cantar aquilo que me toca o coração, aquilo em que me vejo dentro da letra. Às vezes a música não vira um sucesso estrondoso de rádio, mas, se ela tiver verdade, ela cumpre o seu papel para quem a ouve".

Ao fim da entrevista, em um momento de pura nostalgia, Carlos Magrão presenteou os ouvintes com interpretações a cappella das canções Nós e do hino Querência Amada.


VEJA TAMBÉM

bottom of page