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[ÁUDIO] Olho Vivo | 18/05/2026 - Maio Laranja: Psicólogas do Lar da Menina debatem estratégias de prevenção e proteção infantil

  • há 3 horas
  • 3 min de leitura

Especialistas falaram na Rádio Sideral sobre a importância do diálogo, da escuta atenta e dos cuidados com o ambiente digital

Em entrevista à Rádio Sideral nesta segunda-feira (18 de maio), durante o programa Olho Vivo, as psicólogas Letícia Musso e Cassiane Zboralski, da Ação Social Getuliense Nossa Senhora da Salete (Lar da Menina), falaram sobre os desafios e as estratégias de conscientização do Maio Laranja (mês dedicado ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes).

Durante o bate-papo, as especialistas debateram a importância de a sociedade construir redes de apoio seguras e informaram que a compreensão sobre onde mora o perigo precisa ser atualizada. Elas explicaram que o senso comum costuma associar a violência apenas a desconhecidos nas ruas, mas cerca de 90% dos casos registrados ocorrem em ambientes de convivência ou dentro do círculo de confiança da própria criança.

O objetivo é conscientizar as famílias sobre a necessidade de estarem atentas a quem cerca as crianças. "O problema real é ainda maior, pois esses são os dados registrados. Não sabemos exatamente a porcentagem dos casos que não são denunciados e que não chegam aos órgãos competentes. O silêncio, muitas vezes, acontece pelo próprio medo da vítima", explicou a psicóloga Cassiane Zboralski.

O debate sobre o ambiente digital

Outro tema amplamente discutido na entrevista foi a segurança cibernética. Com o acesso cada vez mais precoce aos smartphones, as dinâmicas de proteção precisaram mudar.

Para Letícia Musso, o descuido com a vida digital das crianças equivale a deixá-las desacompanhadas em um ambiente sem supervisão. "O crime utiliza o aliciamento virtual, também chamado de grooming. O adulto constrói uma relação de confiança com a criança por meio de jogos online ou redes sociais e, a partir daí, começa a pedir fotos, chantageando e intimidando a vítima", orientou a especialista.

A recomendação trazida ao debate foi a de que monitorar o celular, nesse período de desenvolvimento, é um cuidado parental essencial, e não uma violação de privacidade.

Atenção aos sinais e acolhimento

Como as crianças raramente conseguem expressar situações de abuso de forma verbal, as profissionais falaram sobre a necessidade de observar os sinais não ditos. O grupo de alertas inclui queda repentina no rendimento escolar, isolamento social, alterações no sono (como pesadelos constantes) ou na alimentação.

"Também observamos regressões de comportamento, como a criança voltar a fazer xixi na cama, além de brincadeiras ou o uso de um vocabulário sexualizado que não condiz com a faixa etária dela", detalhou Cassiane.

As especialistas ressaltaram que, diante de um relato, a postura do adulto precisa ser de total acolhimento. O mais indicado é validar os sentimentos da criança, evitar reações explosivas que possam assustá-la e buscar ajuda especializada imediatamente.

Prevenção pelo diálogo

Ações de prevenção são uma prática constante no Lar da Menina, instituição que atende cerca de 240 crianças em Getúlio Vargas. Uma das ferramentas debatidas pelas psicólogas é o uso do "semáforo do toque", um método lúdico que ensina às crianças, de maneira visual, sobre os limites e o respeito ao próprio corpo, além de estimular as famílias a usarem os nomes corretos para cada parte anatômica desde a primeira infância.

"Instrumentalizar as crianças de forma amorosa e em uma linguagem adequada para cada idade é dar a elas a possibilidade de proteção. Nós ensinamos que o corpo delas é um tesouro, que existem toques bons e ruins, e que elas não devem manter segredos que as deixem desconfortáveis", concluiu Letícia.

Para informações, apoio ou para reportar casos suspeitos de maneira totalmente anônima, as psicólogas lembraram que a população pode utilizar o Disque 100, além de procurar o Conselho Tutelar ou a Brigada Militar (190).


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