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[ÁUDIO] Olho Vivo | 16/10/2026 - 4º 'Vem Jogá Mais Eu' começa nesta sexta em Estação e segue em Getúlio Vargas

há 42 minutos
3 min de leitura

Encontro de capoeira terá mestres convidados, oficinas, batizado e troca de cordas; encerramento será domingo, às 10h, no Calçadão

Uma roda de capoeira no salão da comunidade do bairro Santana, em Estação, abre nesta sexta-feira (16), às 19h, o 4º 'Vem Jogá Mais Eu'. Promovido pela Escola Abará, o encontro segue até domingo (18), com atividades no CTG Getúlio Vargas e encerramento no Calçadão da Praça General Flores da Cunha. A programação reúne alunos, mestres e professores convidados para vivências de movimentação, musicalidade, batizado e troca de cordas.

O coordenador do evento, Carlos Alberto da Silva, conhecido como professor Beto, detalhou a programação no Olho Vivo, da Rádio Sideral, nesta sexta-feira. Graduado contramestre em 2025, ele desenvolve o trabalho com capoeira em Getúlio Vargas desde 2017. As atividades no CTG serão abertas à comunidade, sem cobrança de ingresso para acompanhar.

A abertura em Estação marca a participação de alunos de um trabalho voluntário iniciado por Beto em julho deste ano. O professor estima que cerca de 50 crianças e adolescentes participem das aulas no bairro Santana. Conforme relatou, a iniciativa surgiu a convite de moradores com vínculos familiares com a comunidade quilombola da Mormaça, em Sertão, interessados em trabalhar a identidade cultural por meio da capoeira.

O primeiro contato com os mestres convidados também deve ajudar os iniciantes a participar das atividades do fim de semana com mais confiança. “A ideia é gerar esse sentimento de pertencimento, para eles se sentirem realmente parte dessa coisa maior que é a capoeira”, explicou.

Oficinas e graduação no sábado

No sábado (17), as atividades se concentram no CTG Getúlio Vargas. Às 9h, o mestre Cobrinha e o professor Pezão conduzem a vivência de movimentação. Às 11h, os mestres Moreira, Nenê e Chita trabalham a musicalidade, seguida de roda de capoeira. Os cinco convidados vêm de São Paulo.

Após o almoço, marcado para as 13h, o batizado e a troca de cordas começam às 15h30. Beto também anunciou uma apresentação de puxada de rede, coordenada pelo contramestre Pulga, da Escola Abará, do bairro Restinga, em Porto Alegre, antes das cerimônias.

O batizado representa o acolhimento de quem está começando na capoeira. Beto esclareceu que, no evento, o termo identifica esse ritual de entrada, sem caráter religioso. Já a troca de cordas marca a progressão dos alunos que praticam há mais tempo, conforme o desenvolvimento de cada um.

Às 21h, haverá jantar e confraternização entre convidados e integrantes do projeto. Essa atividade terá caráter mais restrito, por questões de organização.

Roda no Calçadão encerra o encontro

No domingo (18), às 10h, os participantes farão a roda de encerramento no Calçadão de Getúlio Vargas. A intenção é ocupar o espaço em frente à lotérica, aproximando a capoeira de quem passa pelo Centro. Em caso de chuva, a roda será na parte coberta do Calçadão.

A programação termina com almoço às 13h, no CTG Getúlio Vargas. Informações sobre o encontro também podem ser acompanhadas no perfil @beto_capoeiraa.

Permanência dos alunos e formação de novos professores

Durante a entrevista, Beto destacou que o crescimento do trabalho aparece no comprometimento dos alunos e na possibilidade de formar pessoas que deem continuidade às aulas. Ele mantém um grupo de cerca de 15 praticantes que o acompanham desde o início e já conta com estudantes que auxiliam nas atividades.

Dois adolescentes recebem uma bolsa de incentivo para permanecer na capoeira. A medida busca enfrentar uma dificuldade observada pelo professor: quando chegam à idade de trabalhar, muitos jovens de famílias de baixa renda precisam priorizar a remuneração e acabam se afastando das aulas.

Beto também relacionou a prática à continuidade dos estudos e à compreensão das desigualdades sociais. Para ele, ensinar os movimentos e os instrumentos deve caminhar junto com o incentivo à formação escolar e profissional.

“A capoeira representa para mim uma ferramenta de resistência, de politização, de conhecimento e de libertação. Transformou a minha realidade, e acho que posso, por meio dela, contribuir para a transformação da realidade dos meus alunos”, afirmou.

Aos 53 anos, o contramestre disse que segue em formação e definiu o mestre como alguém responsável por preservar e transmitir a história, os conhecimentos e as tradições da capoeira. A expectativa é que os alunos também assumam esse compromisso com o trabalho desenvolvido na região. “Tenho uma perspectiva de que, daqui a um tempo, teremos alunos do projeto dando continuidade ao projeto.”


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