Rotary entrega ultrassom portátil de cerca de R$ 175 mil ao Hospital São Roque
Equipamento será usado inicialmente no pronto-socorro e poderá ser levado ao leito dos pacientes; aquisição é o primeiro projeto de Subsídio Global desenvolvido pelo clube de Getúlio Vargas
O Hospital São Roque, de Getúlio Vargas, recebeu na manhã desta quinta-feira (1º) um ultrassom portátil Mindray MX7, adquirido por meio de um projeto de aproximadamente US$ 34 mil, cerca de R$ 175 mil, desenvolvido pelo Rotary Club de Getúlio Vargas com participação da Fundação Rotária, de outros clubes e distritos do Brasil e do exterior. O equipamento será utilizado inicialmente no pronto-socorro e permitirá que exames sejam realizados junto ao leito, sem a necessidade de deslocar o paciente para outro setor ou serviço de diagnóstico.
A entrega ocorreu depois de representantes do Rotary detalharem o projeto em entrevista ao programa Olho Vivo, da Rádio Sideral. Participaram o presidente do clube, Leandro Munaretto Granella, e Josiane Gasparetto Bellé, diretora da Fundação Rotária no clube e presidente no ano rotário 2025/2026. Mais tarde, durante a entrega no hospital, também falaram à reportagem o presidente do Hospital São Roque, Clóvis Dall’Agnol, e o diretor operacional, Cláudio Santolin.
Santolin explicou que a principal mudança estará na rapidez do atendimento aos pacientes que chegam ao pronto-socorro. Até agora, quando havia necessidade de ultrassonografia, o paciente precisava ser encaminhado à Clínica Atenas, que presta serviços de diagnóstico por imagem. Com o equipamento portátil, o exame poderá ser realizado no próprio leito. “Inicialmente, vai ser usado no pronto-socorro do hospital, para um diagnóstico mais preciso e mais rápido. Como ele é portátil, pode ser levado ao leito do paciente”, explicou o diretor.
O equipamento entregue é o Mindray MX7, um sistema de ultrassom portátil que pode funcionar com bateria e ser transportado entre diferentes setores do hospital. A unidade principal pesa aproximadamente três quilos e dispõe de recursos para diferentes aplicações, inclusive avaliações cardiovasculares.

Projeto começou a ser estruturado em 2025
A iniciativa começou a tomar forma em outubro de 2025, quando integrantes do Rotary visitaram o Hospital São Roque, acompanhados de Valmor Kaufmann, então governador do Distrito 4700. Josiane Bellé relatou no Olho Vivo que, a partir das conversas com a direção da instituição, o clube identificou a necessidade de um equipamento que pudesse ser utilizado dentro dos setores do hospital e iniciou a elaboração do projeto. Kaufmann exerceu a função de governador do Distrito 4700 no ano rotário 2025/2026.
O processo avançou ao longo deste ano. Em maio, quando ainda presidia o Rotary Club de Getúlio Vargas, Bellé já havia informado, também em entrevista ao Olho Vivo, que ações de arrecadação seriam direcionadas à contrapartida necessária para a aquisição do ultrassom. Em junho, na transmissão de cargo para Granella, o clube informou que o projeto para o Hospital São Roque estava encaminhado em parceria com a Fundação Rotária e clubes internacionais. A entrega desta quinta-feira conclui essa etapa iniciada no ano passado.
Bellé afirmou que a escolha do ultrassom levou em consideração principalmente a agilidade em situações de emergência e a possibilidade de realizar exames sem retirar pacientes do leito. Durante a elaboração do projeto, o clube também relacionou o equipamento ao acompanhamento de gestantes, recém-nascidos e pacientes que necessitem de avaliação cardiovascular. “Ele vai realizar os exames ali mesmo, na hora, com agilidade e precisão. Isso facilita muito, principalmente em situações de emergência”, afirmou.
O que é o Subsídio Global
A aquisição é o primeiro projeto do Rotary Club de Getúlio Vargas realizado por meio de um Subsídio Global da Fundação Rotária. Essa modalidade financia projetos de maior porte que precisam apresentar resultados sustentáveis e mensuráveis, responder a uma necessidade identificada na comunidade e estar vinculados a pelo menos uma das áreas de enfoque do Rotary. O orçamento mínimo é de US$ 30 mil.
Os projetos precisam contar com um patrocinador no país onde a iniciativa será realizada e outro patrocinador internacional. Pelas regras da Fundação Rotária, ao menos 15% das contribuições para Subsídios Globais de projetos humanitários devem vir de fora do país onde a ação ocorre. Recursos dos Fundos Distritais de Utilização Controlada também podem receber complementação do Fundo Mundial da Fundação Rotária.
No caso do Hospital São Roque, o projeto foi relacionado a duas áreas de enfoque: prevenção e tratamento de doenças e saúde materno-infantil. O Rotary também mantém como áreas prioritárias promoção da paz; água, saneamento e higiene; educação básica e alfabetização; desenvolvimento econômico comunitário; e meio ambiente.
Recursos vieram de Getúlio Vargas e de outros países e regiões
No Olho Vivo, Josiane Bellé informou que o projeto chegou a cerca de US$ 34 mil. O financiamento reuniu recursos do Distrito 3204, da Índia, com participação de Kalpetta; de um clube ligado ao Distrito 4480, de São Paulo; do Distrito 4700; dos clubes de Getúlio Vargas, Sananduva, Teutônia e Lajeado; e do Fundo Mundial da Fundação Rotária.
Dos aproximadamente R$ 175 mil envolvidos no projeto, R$ 35 mil foram aportados pelo Rotary Club de Getúlio Vargas. Os R$ 140 mil restantes vieram das demais fontes que participaram do financiamento.
“De R$ 175 mil, R$ 35 mil são do clube. Então são R$ 140 mil que vieram de fora de Getúlio Vargas para benefício da comunidade”, afirmou Granella durante o programa.
A participação financeira do clube de Getúlio Vargas foi construída com recursos obtidos em atividades realizadas ao longo dos últimos anos. Entre elas estão a venda de pizzas, o projeto Óleo Solidário, a coleta e destinação de lixo eletrônico, atividades durante o Acampamento Farroupilha e outras campanhas. Granella explicou que os associados custeiam as próprias despesas do clube por meio de mensalidades e que o resultado líquido das promoções é destinado às ações desenvolvidas para a comunidade.
O Óleo Solidário já havia arrecadado mais de 9 mil litros de óleo de cozinha usado até junho. O material é recolhido em estabelecimentos parceiros, encaminhado para destinação adequada e gera recursos destinados aos projetos do Rotary. A coleta de resíduos eletrônicos também integra as ações de arrecadação do clube.
Outra forma de contribuição para a Fundação Rotária é o programa Empresa Cidadã. Bellé informou que o Sicredi Sul Minas RS/MG já contribuiu com mais de US$ 4 mil para a Fundação. A cooperativa aderiu ao programa em 2025, quando foi anunciado um aporte inicial de US$ 3 mil.
Granella relacionou a participação da comunidade nas campanhas à capacidade do clube de reunir a contrapartida necessária para projetos maiores. “Todas as pessoas que colaboraram com a gente fazem parte dessa conquista”, afirmou.
Projeto amplia uma sequência de ações do Rotary
Antes do Subsídio Global destinado ao ultrassom, o Rotary Club de Getúlio Vargas já havia desenvolvido projetos distritais de menor valor para aquisição de equipamentos destinados a entidades do município. Granella afirmou que foram realizados mais de 12 projetos desse tipo e estimou em aproximadamente R$ 70 mil o volume de recursos obtidos para essas iniciativas ao longo dos anos.
Entre as ações anteriores estão a entrega de um computador ao Lar da Menina, em 2022. Em 2025, o Hospital São Roque recebeu um computador destinado ao funcionamento de uma esteira utilizada em exames de esforço, enquanto a Sociedade Getuliense de Amparo aos Menores (Sogeasme) recebeu um fogão industrial.
Para Granella, a sequência de projetos menores e de contribuições feitas pelo clube à Fundação Rotária criou as condições para que Getúlio Vargas chegasse ao primeiro Subsídio Global.
“Você não consegue fazer uma coisa de tal magnitude se não tem uma base, toda uma história, uma construção”, afirmou.
Ultrassom será usado inicialmente no pronto-socorro
O Hospital São Roque foi fundado em 18 de janeiro de 1925 e completou 101 anos em janeiro. A instituição é referência microrregional para atendimentos de pequena e média complexidade de Getúlio Vargas, Estação, Erebango, Ipiranga do Sul e Floriano Peixoto..
Durante a entrega desta quinta-feira, Cláudio Santolin explicou que o ultrassom ficará inicialmente no pronto-socorro. Por ser portátil, o equipamento poderá ser levado até pacientes internados em diferentes pontos do hospital.
“Nós não tínhamos esse equipamento. Ele vem contribuir muito para o hospital”, afirmou o presidente Clóvis Dall’Agnol.
Santolin explicou que, antes da aquisição, pacientes que precisavam de ultrassonografia durante o atendimento eram deslocados até a Clínica Atenas. A possibilidade de realizar o exame no próprio hospital reduz esse deslocamento e permite que a equipe médica tenha acesso mais rápido às imagens necessárias para auxiliar no diagnóstico.
Além das situações de emergência, Josiane Bellé citou durante o Olho Vivo a possibilidade de utilização do aparelho no acompanhamento de gestantes, recém-nascidos e pacientes da cardiologia. O modelo dispõe de diferentes configurações e aplicações de ultrassonografia, mas a definição do uso em cada situação cabe às equipes médicas do hospital.
Fundação Rotária reúne recursos de diferentes países
A Fundação Rotária é a organização filantrópica ligada ao Rotary International e financia projetos desenvolvidos pelos clubes e distritos em diferentes países. Parte dos recursos é formada pelas contribuições feitas por rotarianos, clubes, distritos, empresas e outros doadores.
Nos Subsídios Globais, essa estrutura permite combinar recursos locais, internacionais e do Fundo Mundial. No projeto do Hospital São Roque, essa composição fez com que a participação de R$ 35 mil, reunida pelo clube de Getúlio Vargas, integrasse uma iniciativa de aproximadamente R$ 175 mil.
Bellé explicou no programa que a lógica é recíproca: clubes de Getúlio Vargas também podem contribuir para projetos desenvolvidos por outras comunidades, da mesma maneira que clubes e distritos externos participaram da aquisição destinada ao Hospital São Roque.
Pedágio do Verde arrecada para novos projetos
O Rotary Club de Getúlio Vargas realiza nesta sexta-feira (2), a partir das 7h, mais uma edição do Pedágio do Verde. A ação ocorre nos pontos tradicionalmente utilizados pelo clube no município e combina a distribuição de mudas de árvores com a arrecadação de contribuições.
Granella informou que o projeto é realizado há quase 30 anos. Nesta edição, as mudas foram doadas por um rotariano de Caxias do Sul que também participou da articulação do projeto do ultrassom. Um valor correspondente a cada muda será destinado à Fundação Rotária.
Segundo o presidente, os recursos arrecadados ajudam o clube a formar a contrapartida necessária para futuras iniciativas. Projetos do porte do ultrassom não são realizados anualmente, já que o clube precisa reunir recursos próprios antes de buscar novas combinações de financiamento.






