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Quem foi o cantor sertanejo João Carreiro, que morreu aos 41 anos?

Artista fazia dupla com Capataz e era um dos principais expoentes do sertanejo moderno, influenciado pela música caipira de Tião Carreiro & Pardinho

 

O cantor sertanejo João Carreiro, que fazia dupla com Capataz, morreu na madrugada desta quinta-feira (4), em Campo Grande, após complicações em uma cirurgia no coração. Ele tinha 41 anos e deixou esposa e dois filhos.

João Carreiro era natural de Ariranha, interior de São Paulo, e começou a cantar aos 10 anos de idade. Ele formou a dupla com Capataz em 2006 e lançou seis álbuns, sendo o último em 2019. Entre os sucessos da dupla, estão “Bruto, Rústico e Sistemático” e “Xique Bacanizado”.

O cantor era admirador da música caipira e tinha como referência a dupla Tião Carreiro & Pardinho, considerados os reis do pagode, um ritmo típico do sertanejo de raiz. João Carreiro chegou a gravar um DVD em homenagem a Tião Carreiro, em 2017, com participações de vários artistas do gênero.

Trajetória musical

João Carreiro, cujo nome de batismo era João Sérgio Batista Corrêa Filho, nasceu em 24 de novembro de 1982, em Cuiabá, Mato Grosso. Ele era formado em Administração de Empresas e desde pequeno era fascinado por música e fã incondicional do cantor Tião Carreiro. Quando não estava em turnê, gostava de ficar com a família e compor. Suas canções mexiam com o público universitário e viajavam do estilo romântico aos batidões de viola. Sua identificação com a música trazia uma voz grave e marcante.

Capataz, cujo nome de batismo era Hilton Cesar Serafim da Silva, nasceu em 14 de fevereiro de 1978, também em Cuiabá. Ele era formado em Direito pela Unic (Universidade de Cuiabá) e desde pequeno acompanhava seu pai, o Sr. José Alfredo, nos trabalhos da fazenda, onde cantarolava com um amigo da família chamado Valmir. Nas horas vagas, gostava de assistir aos jogos do seu time do coração, o São Paulo, e saborear um bom churrasco de carneiro. Aproveitava as rodas de viola para cultivar novas amizades.

Os dois se conheceram em 1999, quando formaram a dupla João Sérgio & Hilton. Em 2006, mudaram o nome artístico para João Carreiro & Capataz, inspirados na antiga dupla de música caipira Tião Carreiro & Pardinho, da qual os dois cantores eram fãs. O nome “João Carreiro” era uma homenagem a Tião Carreiro, e “Capataz” foi escolhido para associar ao primeiro nome da dupla.

A dupla se destacou em Mato Grosso com a música “Desatino”. Depois, “Lágrimas de Crocodilo” deu força para que os dois jovens fossem conquistar novos fãs no Mato Grosso do Sul e no Paraná. Em seguida, “Bruto, Rústico e Sistemático”, “Xique Bacanizado” e “É Pra Cabá” consolidaram João Carreiro e Capataz no cenário nacional.

Em 2009, a canção “Bruto, Rústico e Sistemático”, composta pela dupla, fez parte da trilha sonora da novela Paraíso, exibida pela Rede Globo. Em 2011, a canção “Xique Bacanizado” fez parte da trilha sonora da novela Araguaia, da mesma emissora.

Em 2011, lançaram o CD Lado A / Lado B, onde do Lado A estavam músicas com um estilo mais antigo e o Lado B com músicas mais comerciais. Em 2013, gravaram um DVD em Cuiabá, no qual foram lançadas 3 faixas, “Prefácio”, “Desgramou o Goiás” e "Tudo em Nome do Poder".

Problemas de saúde e separação

A notícia da separação da dupla ganhou força no final de 2013, e no início de 2014, quando eles anunciaram o fim da parceria. João Carreiro estava passando por problemas de saúde e por esse motivo ele teve que se afastar dos palcos para seu tratamento, o que o levou a ir morar na cidade de Sidrolândia, a 70 quilômetros de Campo Grande, no interior do Mato Grosso do Sul, junto com sua família, para continuar esse tratamento de forma mais tranquila.

De acordo com o empresário da dupla, Léo dos Reis, João Carreiro estava passando por um tratamento psiquiátrico contra depressão e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), ambas doenças responsáveis pelos problemas enfrentados pela dupla durante o ano anterior. Devido aos problemas de saúde de João Carreiro, o último DVD da dupla, gravado no Parque de Exposições de Cuiabá, no dia 5 de julho de 2013, foi guardado e não chegou a ser lançado.

Em 2016, João Carreiro voltou aos palcos com um novo parceiro, Rodrigo, formando a dupla João Carreiro & Rodrigo. Eles gravaram um DVD em homenagem a Tião Carreiro, com participações de vários artistas do sertanejo, como Bruno & Marrone, César Menotti & Fabiano, Jads & Jadson, entre outros. No entanto, a dupla não teve o mesmo sucesso que João Carreiro & Capataz e se desfez em 2020, quando Rodrigo anunciou sua saída para seguir carreira solo.

Em 2018, João Carreiro lançou seu primeiro álbum solo, intitulado “Forró de Violeiro”, com 14 faixas inéditas, todas de sua autoria. O disco misturava elementos do forró, do sertanejo e da música caipira, mostrando a versatilidade e a originalidade do cantor.

Homenagens e luto

A morte de João Carreiro chocou o meio artístico e os fãs do sertanejo. Nas redes sociais, vários cantores e personalidades prestaram homenagens e lamentaram a perda do artista. Em 2021, após a trágica morte de Marília Mendonça, João Carreiro compôs uma música em homenagem a ela, chamada “Nunca Namore um Cowboy”. A canção falava sobre a dor de perder um grande amor e fazia referência ao sucesso “Infiel” da cantora.

O velório e o sepultamento de João Carreiro serão realizados em Ariranha, sua cidade natal, onde ele será enterrado ao lado do pai, que faleceu em 2019.

Seu último lançamento, feito em dezembro mantendo o estilo "moda de viola" com a voz grossa, teve uma triste coincidência: João a compôs como homenagem após a morte do avô, Euripedes Correa, a quem chamava de sua "maior inspiração". Depois da repercussão da morte do sertanejo, fãs do gênero passaram a publicar trechos da letra nas redes sociais. "Toda e qualquer homenagem / A ele é merecido / Minha vó disse - 'Meu neto' -, baixinho no meu ouvido / 'Por mais que seja difícil, nesse momento doído / O que mais o seu avô amava era um dueto / Sentido'", canta o músico em um trecho.


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