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PIB gaúcho cresce 3,3% no semestre e supera avanço nacional

há 5 dias
3 min de leitura

Agropecuária lidera expansão após estiagem de 2025; comércio acumula queda, apesar da melhora no segundo trimestre

O Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul cresceu 3,3% no primeiro semestre de 2026, na comparação com os primeiros seis meses de 2025. A recuperação da agropecuária, com alta de 19,7%, foi o principal impulso para o resultado, acompanhado por avanços de 2% na indústria e de 1,1% nos serviços. No mesmo período, a economia brasileira cresceu 1,9%, uma diferença de 1,4 ponto percentual em relação ao desempenho gaúcho.

O crescimento dos três grandes setores não se repetiu em todas as atividades. Entre janeiro e junho, o comércio gaúcho recuou 0,6%, a construção caiu 0,3% e a indústria extrativa mineral teve retração de 3,4%. Nos serviços, a expansão de 1,1% ficou abaixo dos 1,8% registrados no país, enquanto agropecuária e indústria cresceram acima dos respectivos resultados nacionais.

Na passagem do primeiro para o segundo trimestre, o PIB gaúcho avançou 0,2%, abaixo dos 0,5% do Brasil. Essa comparação considera o ajuste sazonal, que retira influências recorrentes de cada época do ano. A série do Departamento de Economia e Estatística (DEE) mostra perda de ritmo em relação aos primeiros três meses de 2026, quando a economia estadual havia crescido 0,6%.

Entre abril e junho, a agropecuária aumentou 6,6% frente ao trimestre anterior, os serviços avançaram 0,4% e a indústria, 0,2%. Já na comparação com abril a junho de 2025, o crescimento do PIB gaúcho chegou a 5,7%, ante 2% no país.

Recuperação das lavouras

A recuperação da safra após a estiagem de 2025 ajuda a explicar a alta da agropecuária. No segundo trimestre, o setor cresceu 37,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A soja, principal responsável pelo avanço agrícola, teve aumento de 34,4% na quantidade produzida, mesmo com redução de 1,3% na área plantada. O rendimento por hectare subiu 36,2%. No milho, a produção cresceu 21,8%, acompanhada de ampliação de 16,1% na área cultivada. O arroz apresentou resultado negativo, com queda de 10,2% na produção.

Indústria cresce com diferenças entre os segmentos

A indústria gaúcha avançou 1,8% no segundo trimestre em relação ao mesmo período de 2025. A indústria de transformação cresceu 3,2%, com aumento da produção em oito das 14 atividades avaliadas.

Entre os destaques estavam derivados de petróleo e biocombustíveis, com alta de 25,1%; veículos automotores, reboques e carrocerias, com 24,4%; e produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos, com 22,9%.

As quedas incluíram máquinas e equipamentos, com retração de 20,8%; couro, artefatos de couro, artigos para viagem e calçados, com 5,4%; e produtos de borracha e material plástico, com 3,5%. Os percentuais se referem à comparação entre o segundo trimestre de 2026 e o de 2025.

Comércio melhora no trimestre, mas ainda recua no semestre

Os serviços cresceram 1,1% entre abril e junho, frente ao mesmo intervalo do ano anterior. Dentro do setor, o comércio avançou 1,3%, resultado que ainda não reverteu a queda acumulada de 0,6% no semestre.

O volume de vendas aumentou em oito das dez atividades comerciais avaliadas no segundo trimestre. Entre os destaques positivos estavam outros artigos de uso pessoal e doméstico, com alta de 14,8%; artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com 3,2%; e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com 1,6%.

As vendas de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação caíram 12,8%, enquanto tecidos, vestuário e calçados recuaram 10%.

O DEE elabora os indicadores estaduais em convênio com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O PIB mede a produção de bens e serviços da economia, e os resultados gaúchos são divulgados trimestralmente, após a publicação dos números nacionais.


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