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Leilão do Bloco 2 de rodovias do RS é cancelado após ausência de propostas

  • há 21 horas
  • 2 min de leitura

Nenhuma empresa apresentou interesse na concessão de 409 km que abrange o Vale do Taquari, o Vale do Caí e o Norte gaúcho; investimento previsto era de R$ 6 bilhões

Nenhuma empresa apresentou proposta para a concessão do Bloco 2 de rodovias do Rio Grande do Sul, inviabilizando o leilão previsto para o dia 10 de junho na Bolsa de Valores, em São Paulo. O projeto previa R$ 6 bilhões em investimentos ao longo de 409 km que cortam os vales do Taquari e do Caí e o Norte do estado. Os municípios da área respondem por 17,5% da população gaúcha, com atividade concentrada na agropecuária e nas indústrias de transformação.

O vice-governador Gabriel Souza (MDB) lamentou o resultado em participação no Tá Na Mesa, da Federasul (Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul), e sinalizou que o clima gerado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Pedágios contribuiu para afastar interessados. A CPI funciona na Assembleia Legislativa do RS, tem atuado contrariamente aos processos de concessão de rodovias estaduais, com ênfase no Bloco 2.

Para o relator da CPI e líder da bancada do PT, deputado estadual Miguel Rossetto, o leilão deserto confirma o esgotamento do modelo adotado pelo governo Eduardo Leite. "O modelo de concessão de rodovias proposto pelo governo Eduardo Leite é tão ruim que não interessa nem à sociedade nem ao setor privado. A ausência de interessados no Bloco 2 é a expressão máxima do fracasso desse modelo", afirmou.

Rossetto aponta que os problemas se repetem nos demais blocos. No Bloco 3, concedido à Caminhos da Serra Gaúcha (CSG), o deputado afirma que a concessionária acumula reajustes tarifários, não entregou as obras previstas e busca junto ao governo um reequilíbrio econômico-financeiro superior a R$ 800 milhões. "Estamos há um ano e meio acompanhando esse pedido de reequilíbrio sem uma posição definitiva do governo. Enquanto isso, as obras permanecem paradas, a população paga tarifas elevadas e, após três anos e meio de concessão, já houve quatro reajustes tarifários sem que um único quilômetro de duplicação tenha sido entregue", disse.

O parlamentar lembrou ainda que o Bloco 1 também passou por reformulação. "No Bloco 1, o governo precisou reformular a proposta, reduzindo investimentos e prevendo aporte de recursos públicos para tentar viabilizar a concessão. Isso demonstra as dificuldades e contradições desse modelo", avaliou.

As conclusões da CPI dos Pedágios devem apontar alternativas ao modelo atual, entre elas o fortalecimento do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) e da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR). "O leilão deserto do Bloco 2 reforça a necessidade de discutir novos caminhos para a infraestrutura rodoviária do Estado, com equilíbrio entre investimentos, tarifas justas e interesse público", concluiu Rossetto.

Foto: Vitor Rosa / Divulgação
Foto: Vitor Rosa / Divulgação

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