Justiça determina bloqueio de até R$ 11,3 milhões em investigação de fraudes na saúde em Erechim
Operação Home Cash teve buscas também em Passo Fundo e Itapema; suspeitas envolvem atendimentos domiciliares pagos pelo Estado e pelo IPE Saúde
A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores até o limite de R$ 11,3 milhões na investigação sobre suspeitas de fraudes em atendimentos domiciliares de saúde em Erechim. Na terça-feira (20), agentes cumpriram oito mandados de busca e apreensão no município, em Passo Fundo e em Itapema, em Santa Catarina, durante a Operação Home Cash.
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) apura cobranças por serviços de home care, modalidade de atendimento ao paciente em sua residência, custeados pelo governo estadual e pelo IPE Saúde. Segundo os investigadores, há indícios de cobrança por uma quantidade de serviços superior à efetivamente prestada.
Cerca de 50 agentes participaram da operação, que atingiu 15 alvos, conforme o MPRS. As ordens judiciais incluem o sequestro de veículos e imóveis. O promotor de Justiça Diego Pessi, do 7º Núcleo Regional do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), coordena a investigação, com participação do Núcleo de Inteligência do Ministério Público e da Brigada Militar.
Pedidos superiores a R$ 1 milhão por paciente
A investigação começou após a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) encaminhar uma notícia-crime ao Ministério Público. Ao analisar processos em que recursos públicos eram bloqueados para pagar serviços de uma mesma empresa, a Procuradoria de Saúde identificou solicitações padronizadas, prescrições semelhantes e orçamentos recorrentes. Em alguns casos, os pedidos ultrapassavam R$ 1 milhão por paciente, informou a PGE.
Os investigadores também analisam transferências entre pessoas e empresas ligadas ao grupo e a compra de bens supostamente registrados em nome de terceiros. O Ministério Público de Santa Catarina auxiliou nas buscas em Itapema. A apuração prossegue sob sigilo judicial.
Investigações anteriores
A operação dá continuidade às apurações sobre possíveis desvios em serviços de home care. Em 4 de dezembro de 2024, o MPRS deflagrou a Operação Gollum em Passo Fundo, com 11 mandados de busca e apreensão em empresas, escritório de advocacia e residências.
Na Operação Gollum II, em 18 de março, agentes cumpriram 12 mandados em Passo Fundo, Canoas, Esteio e Balneário Camboriú. Naquela etapa, voltada à investigação de lavagem de dinheiro e à identificação de novos envolvidos, a Justiça determinou bloqueios de aproximadamente R$ 12 milhões.



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