Duas pessoas são presas em operação que investiga esquema de falsificação de vacinas contra a gripe
- Andrei Nardi

- 5 de mai. de 2020
- 2 min de leitura
Secretaria de Saúde de Coxilha suspeitou de lote adulterado e denunciou comerciantes. Polícia Civil aguarda perícia para saber conteúdo de 300 vacinas comercializadas em cidades do Norte gaúcho. Pelo menos um paciente recebeu a dose

A Polícia Civil realizou uma operação, na manhã desta terça-feira (5), contra um esquema de falsificação de vacinas contra a gripe no Rio Grande do Sul. Duas pessoas foram presas em Passo Fundo.
Segundo o delegado Max Otto Ritter, da Delegacia de Polícia de Combate à Corrupção (Decor), a denúncia partiu da Secretaria da Saúde de Coxilha, mas foram identificados lotes adulterados em Passo Fundo, David Canabarro e Água Santa.
A polícia não sabe o total de doses comercializadas na região. O conteúdo das vacinas, que foram aplicadas em pelo menos um morador de Coxilha, foi encaminhado para a perícia.
“O caso é grave. É um crime hediondo, porque não se sabe o que está ministrando”, afirma Ritter.
O delegado relata que a Prefeitura de Coxilha desconfiou dos produtos porque o distribuidor informou que as vacinas poderiam ser aplicadas mais de uma vez. No entanto, ao contatar o fabricante, a empresa negou essa possibilidade.
“Disse que não trabalham com multidoses, apenas monodoses. Ou seja, uma utilização apenas, e se descarta. O laboratório disse que o lote não estava de acordo, que era adulterado ou falso”, aponta Ritter.
A Prefeitura de Coxilha havia adquirido 300 doses da vacina tetravalente contra a influenza. Contudo, ao avançar na investigação, a polícia verificou que clínicas, farmácias e até pessoas físicas compraram de modo particular vacinas desse mesmo distribuidor.
"Já identificamos farmácias, por exemplo, no município de Água Santa e de Passo Fundo, e identificamos também um farmacêutico de David Canabarro", diz o delegado.
Além das duas prisões preventivas, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em três endereços. Nos locais, conforme Ritter, foram encontrados remédios sem procedência, até mesmo de tarja preta, e documentação e conversas que comprovariam a ligação dos indivíduos com as pessoas que disponibilizaram as vacinas.
De acordo com o delegado, Coxilha foi vítima de um possível estelionato contra a administração pública.
"Conseguimos contextualizar a prática de adulteração, de falsificação de vacinas, justamente nessa época em que vivemos uma crise com uma pandemia, e particularmente o estado do Rio Grande do Sul precisa vacinar as pessoas dos mais variados municípios tendo em vista que o frio se aproxima", afirma o delegado.
Fonte: G1 RS




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