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Chuvas no RS: saiba como proteger rebanhos e animais de estimação durante inundações

23 de jul.
2 min de leitura

Orientação técnica reforça que animais livres têm maior capacidade de nadar ou buscar abrigo em áreas elevadas

Em razão do elevado volume de chuvas e da elevação dos níveis dos rios no Rio Grande do Sul, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado (CRMV-RS) emitiu orientações para que produtores rurais e tutores protejam animais de produção e de estimação em cenários de inundação. As recomendações abrangem desde o planejamento preventivo até os cuidados sanitários necessários após o recuo da água.

De acordo com a médica-veterinária e assessora técnica do CRMV-RS, Mariangela Allgayer, a preparação antecipada é o fator principal para evitar mortes de animais. A especialista orienta o mapeamento prévio de áreas elevadas nas propriedades, a construção de corredores largos nas cercas e o armazenamento de ração, feno e água limpa em locais altos. A identificação individual do rebanho, por meio de brincos ou marcas, também é indicada para facilitar o reconhecimento e o reagrupamento dos animais após a cheia.

Em situações em que a água sobe rapidamente, a prioridade de remoção deve ser dada aos animais mais vulneráveis, como filhotes, matrizes, reprodutores e exemplares doentes. O transporte até os pontos elevados precisa ser feito por rotas pré-definidas, utilizando mangueiras móveis para direcionar o trajeto e mantendo veículos de transporte prontos e abastecidos.

Quando não houver tempo suficiente para fazer o manejo de todo o rebanho com segurança, a orientação técnica é soltar os animais imediatamente. A abertura de porteiras ou o corte de cercas permite que gado e cavalos fiquem livres para nadar e buscar abrigo por conta própria em terrenos mais altos. Para equinos, é necessário remover cabrestos e correntes, além de abrir as baias para evitar o enroscamento e facilitar a saída espontânea.

Após o recuo da inundação, a atenção deve se voltar à sanidade animal. Toda a ração, silagem ou feno que tiver contato com a água da enchente deve ser descartada devido ao risco de contaminação por esgoto, bactérias e lama. O fornecimento de água limpa e potável é indispensável para impedir intoxicações.

Mariangela ressalta que o período pós-enchente apresenta alto risco para o surgimento de enfermidades como leptospirose, botulismo, pneumonia, verminoses e pododermatite (infecções nos cascos). Em cavalos, as alterações na rotina e no alimento podem provocar quadros graves de cólica e laminite.

O monitoramento constante ajuda a identificar precocemente animais enfermos. Sinais como isolamento do grupo, prostração, orelhas caídas, respiração ofegante, perda de elasticidade na pele (indicativo de desidratação), febre, diarreia ou presença de sangue na urina exigem avaliação médica imediata.

Para cães e gatos, as diretrizes de segurança acompanham a mesma lógica. O CRMV-RS reforça que animais domésticos não devem permanecer presos em correntes ou canis fechados durante alertas de cheia. A identificação dos pets com coleiras ou etiquetas contendo nome, telefone de contato e cidade do responsável auxilia na localização em caso de resgate ou fuga.

Foto: Reprodução / Nercílio Mendes / Arquivo Pessoal
Foto: Reprodução / Nercílio Mendes / Arquivo Pessoal

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