Caso suspeito de ebola no Rio Grande do Sul testa positivo para malária em Novo Hamburgo
Paciente de 64 anos, vindo de Uganda, aguarda contraprova da Fiocruz no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre
O caso suspeito de ebola de um homem de 64 anos vindo de Uganda apresentou teste rápido positivo para malária no dia 10 de junho (quarta-feira) em Novo Hamburgo. O tratamento contra o protozoário Plasmodium falciparum, causador da malária, começou logo após o diagnóstico. O protocolo nacional exige o descarte definitivo do ebola, cuja análise laboratorial é realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, conforme as diretrizes acompanhadas pela Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul.
O paciente será transferido para o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, unidade equipada com fluxo de isolamento. Os procedimentos municipais de acolhimento constam em detalhamento da Prefeitura Municipal de Novo Hamburgo.
A diretora de atenção à saúde do GHC, Rosana Nothe, confirmou que o complexo receberá o paciente e enviará as amostras para análise. A estrutura para exames definitivos de nível máximo de biossegurança fica no Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, e no Instituto Evandro Chagas, no Rio de Janeiro. As pessoas que mantiveram contato com o homem passarão por monitoramento sanitário por 30 dias.
O virologista da Universidade Feevale, Fernando Spilki, declarou: "O que está sendo feito é, realmente, uma precaução de um nível mais alto por parte das autoridades sanitárias, o que está correto, mas não imaginamos de modo algum, pelo que se sabe, que esse vai ser o princípio da introdução do vírus no nosso horizonte". Ele explicou que os sintomas das duas doenças são parecidos e que a transmissão em Uganda ocorre de forma restrita a ambientes hospitalares.
O chefe do Serviço de Infectologia da Santa Casa de Porto Alegre e coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia, Alessandro Pasqualotto, ressaltou: "No nosso meio, eu me preocuparia muito mais com a Influenza, vírus respiratório que está transmitindo agora e mata muita gente, como idosos que não se vacinaram, do que com o ebola".
O ebola pertence à família Filoviridae, do gênero Ebolavirus. Diferente do Ebola Zaire, que tem vacina e tratamento definidos, a epidemia no leste da República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda é provocada pela cepa vírus Bundibugyo, para a qual não há imunizante autorizado. O diretor do Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), órgão da União Africana (UA), anunciou que um imunizante experimental contra a cepa deve ficar pronto até o final do ano.
Em São Paulo, a Secretaria Estadual da Saúde e o Centro de Vigilância Epidemiológica Professor Alexandre Vranjac (CVE-SP) monitoram uma brasileira de 31 anos que trabalhou na província de Kivu do Norte, na RDC. Ela está isolada no Instituto de Infectologia Emílio Ribas (IIER), com teste negativo para malária. O 1.º caso suspeito paulista, de um homem de 37 anos, foi descartado. No Rio de Janeiro, o caso de um viajante belga vindo de Uganda também foi descartado pelo Instituto Oswaldo Cruz, com exames de urina e saliva negativos e confirmação de malária.
Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no dia 11 de junho apontam 676 casos confirmados e 136 mortes causadas pela cepa vírus Bundibugyo na RDC.






