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Carrapato bovino causa prejuízo de R$ 300 milhões por ano à pecuária gaúcha

  • Foto do escritor: Andrei Nardi
    Andrei Nardi
  • há 3 horas
  • 2 min de leitura

Resistência a carrapaticidas atinge 70% das propriedades gaúchas e ameaça controle do parasita

O carrapato bovino gera prejuízos anuais de R$ 300 milhões no Rio Grande do Sul, segundo dados da Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS-Ascar). No Brasil, o parasita compromete a produtividade da pecuária com perdas superiores a US$ 3,9 bilhões por ano, afetando ganho de peso, produção de leite e rentabilidade das propriedades.

Além do impacto econômico direto, o carrapato é vetor da tristeza parasitária bovina, considerada a principal causa de morte de bovinos no Estado. Registros oficiais indicam cerca de dez mil mortes anuais, mas técnicos afirmam que o número real pode ser dez vezes maior devido à subnotificação.

Resistência aos carrapaticidas avança nas propriedades

Levantamento do Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF), ligado à Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), revela que 70% das propriedades gaúchas apresentam multirresistências aos carrapaticidas. Os parasitas não respondem a pelo menos quatro das sete classes de produtos disponíveis no mercado.

Em 5% das propriedades, nenhum dos produtos comercializados apresenta eficácia, o que torna o controle praticamente inviável. Especialistas destacam que o problema está no ambiente, onde mais de 95% da população de carrapatos permanece no solo e no pasto, o que exige estratégias de manejo que vão além da aplicação de químicos.

Biocarrapaticidograma orienta controle eficiente

O biocarrapaticidograma surge como ferramenta essencial para enfrentar o desafio da resistência. O exame gratuito, realizado pelo IPVDF, identifica quais produtos ainda funcionam em cada propriedade e permite um controle mais direcionado. A coleta de carrapatos engurgitados e o envio ao laboratório garantem um laudo detalhado sobre a eficácia dos diferentes grupos químicos.

O ciclo do parasita se intensifica do verão ao outono e multiplica a infestação de forma exponencial, se não houver medidas preventivas já na primavera. O pecuarista Ruberlei Jacques Dondé, de André da Rocha, que cria bovinos de corte desde 2008, alterna manejos convencionais e integrados, como a homeopatia, para reduzir o uso de acaricidas químicos em seu rebanho de 150 animais.

Estratégias integradas reduzem dependência de químicos

A Emater/RS-Ascar realizou mais de 2.500 visitas técnicas nos últimos quatro anos e promoveu 60 eventos em parceria com o IPVDF, alcançando cerca de 60 mil produtores rurais. Além do uso racional de carrapaticidas, iniciativas como rotação de piquetes, homeopatia e fitoterapia vêm sendo testadas para reduzir a infestação e minimizar impactos ambientais.

Conforme a extensionista da Emater/RS-Ascar, veterinária Thaís Michel, o trabalho baseia-se em uma estratégia integrada que combina uso estratégico e rotacionado de carrapaticidas, manejo produtivo com rotação de piquetes, adoção de raças mais resistentes, quarentena sanitária e práticas complementares como homeopatia. Essa abordagem busca eficiência, sustentabilidade e equilíbrio entre saúde animal, ambiental e econômica nas propriedades rurais.

Problema exige convivência sustentável

Especialistas reforçam que o carrapato é um problema permanente e sem possibilidade de erradicação. O caminho é a integração entre pesquisa, assistência técnica e defesa sanitária, para que os produtores possam conviver com o parasita de forma sustentável e menos onerosa.


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