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Apostas online tiram R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras

  • há 20 horas
  • 2 min de leitura

Estudo do Comsefaz e do Centro Celso Furtado aponta transferência líquida de recursos equivalente a 0,68% da renda disponível em 2025

As apostas online retiraram R$ 62,5 bilhões do saldo final das famílias brasileiras ao longo de 2025. A terceira edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros traz os números, apurados pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do DF (Comsefaz) e pelo Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef). O cálculo considera a diferença entre os valores depositados pelos apostadores e o dinheiro retornado às contas em forma de prêmios.

O montante retido pelas plataformas em 2025 equivale a 0,68% da renda disponível da população. Entre outubro de 2024 e março de 2026, a saída média atingiu R$ 4,7 bilhões por mês. Os pesquisadores utilizaram estatísticas do Banco Central do Brasil para mapear os fluxos financeiros e estimar o impacto na economia.

A transferência de recursos afeta o orçamento doméstico em um momento de alto endividamento. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam que 81,6% dos lares possuíam dívidas em junho, incluindo cartão de crédito, empréstimos e carnês. O direcionamento de verbas para o setor de jogos reduz a circulação de capital no comércio e nos serviços, desacelerando o consumo interno.

A consolidação do Pix impulsionou a expansão do mercado de apostas. Antes do início da regulamentação federal, em janeiro de 2025, os repasses mensais de pessoas físicas para empresas do setor de entretenimento e recreação somavam cerca de R$ 5 bilhões. Após a medida, as transferências saltaram para patamares entre R$ 25 bilhões e R$ 42 bilhões mensais.

Ao longo de 2025, o volume adicional movimentado via Pix para plataformas de apostas acumulou R$ 350,97 bilhões. A medida do governo federal, adotada em outubro de 2025, atendendo a determinação do Supremo Tribunal Federal para proibir o uso de verbas do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) em apostas, reduziu o ritmo de crescimento dessas operações nos meses seguintes.

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) contestou os dados divulgados pelos secretários de Fazenda. Em nota pública, a entidade declarou que a pesquisa comete erros no recorte temporal e ignora o aumento geral do uso do Pix em todos os segmentos econômicos promovido pela bancarização.

A ANJL informou que a receita bruta oficial do setor alcançou R$ 37 bilhões em 2025, valor correspondente a cerca de metade da estimativa apresentada pelo estudo do Comsefaz. A associação destacou ainda que os dados dos secretários englobam outros setores do entretenimento e empresas clandestinas, sem considerar as ações de fiscalização que resultaram no bloqueio de mais de 25 mil sites ilegais e no encerramento de 550 contas bancárias.


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