Safra de pinhão traz alívio a produtores, mas acende alerta para risco de extinção da araucária
- Andrei Nardi

- 11 de jun. de 2025
- 3 min de leitura
Com colheita em seu auge, preço do quilo cai para até R$ 12; Emater estima produção de 860 toneladas e reforça a importância da preservação da árvore
A safra de pinhão de 2025 no Rio Grande do Sul está em seu auge, trazendo um cenário positivo para produtores e consumidores. Com uma produção estimada em 860 toneladas e o preço do quilo em queda, o momento é de alívio para os extrativistas. No entanto, o bom volume da colheita acontece em meio a um alerta crucial de especialistas sobre o risco de extinção da araucária, a árvore que produz a semente.
O período oficial de colheita iniciou em 1º de abril e se estende até julho, embora variedades tardias da semente possam ser encontradas em menor quantidade em agosto e setembro.
"No ano anterior, a produção foi muito fraca. Neste ano, está melhor, embora ainda não atinja o patamar de uma safra cheia", avalia o extensionista da Emater/RS-Ascar, Antônio Carlos Borba.
Produção, preços e desafios do mercado
Segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, o auge da colheita resultou em uma maior oferta e, consequentemente, na queda dos preços para o consumidor, que hoje variam entre R$ 12 e R$ 14 por quilo — em abril, o valor era de R$ 17.
A região das Hortênsias e os Campos de Cima da Serra se destacam como as maiores produtoras, com uma expectativa de colheita superior a 600 toneladas. A região do Planalto, que inclui Passo Fundo, deve produzir 110 toneladas, enquanto o Centro Serra e a Serra do Botucaraí somam uma estimativa de 150 toneladas. Apesar de seu valor cultural e econômico, o pinhão ainda enfrenta poucas iniciativas de beneficiamento, industrialização e armazenamento, o que limita suas possibilidades de venda.
A urgência da preservação da Araucária
A valorização econômica do pinhão está diretamente ligada à preservação da Araucária Angustifolia. A colheita manual, que envolve desde a coleta das sementes no solo até a derrubada das pinhas com ferramentas ou a escalada nas árvores com equipamentos de segurança, é uma fonte de renda que incentiva a manutenção da floresta.
A atividade é regulada pela Lei Estadual nº 15.015, de 22 de dezembro de 2022, que permite a colheita apenas a partir de 1º de abril. A árvore também é protegida pelo Decreto Estadual 52.109/2014 e pela Portaria MMA nº 148/2022, sendo proibido o corte de araucárias que produzem pinhas entre abril e junho, sob pena de multa.
Apesar da proteção legal, a espécie, que leva de 12 a 15 anos para produzir sementes, está ameaçada.
"Com o avanço das atividades humanas, ocorre a fragmentação das florestas, o que reduz a base genética da espécie. Se nada for feito, em 50 a 70 anos a espécie pode desaparecer das áreas de ocorrência natural", alerta Borba.
Ele explica que a araucária é uma espécie "heliófila" (amiga do sol) que se regenera nas bordas das matas, mas muitas vezes os agricultores cortam as mudas por desinformação.
Benefícios e importância cultural
Importante alimento para a fauna nativa, o pinhão é também um aliado em deliciosas receitas. A semente é rica em minerais como potássio e fósforo, além de fibras e gorduras que ajudam na prevenção de doenças cardiovasculares.
"É um alimento mais calórico, principalmente para atletas, pois dá um suporte energético, mas quem já tem uma dieta com restrição calórica tem que tomar cuidado e ingerir com moderação", explica a nutricionista da Emater/RS-Ascar, Leila Ghizzoni.
Ela ressalta a importância do consumo durante a safra.
"O período de outono-inverno sugere alimentos mais calóricos e com mais nutrientes. A natureza é sábia e fornece o que o corpo precisa para os períodos mais frios", observa.










