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RS chega a 65 feminicídios em 2026 após morte de mulher em Sobradinho

há 18 horas
3 min de leitura

Julia Roseli da Silva, de 45 anos, foi encontrada na casa do ex-companheiro; vítima já havia registrado ocorrências contra o suspeito em 2021 e 2023

O Rio Grande do Sul chegou a 65 feminicídios desde o início de 2026 com a morte de Julia Roseli da Silva, de 45 anos, em Sobradinho, no Vale do Rio Pardo. Ela foi encontrada na noite de domingo (1º), na residência do ex-companheiro, na localidade de Linha Quinca. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio.

O número corresponde a aproximadamente uma mulher morta a cada cinco dias, considerando os 305 dias entre 1º de janeiro e 1º de novembro. A média dimensiona a frequência dos crimes, sem representar uma distribuição regular das mortes ao longo do ano.

O que mostram os dados de violência contra a mulher

Na série oficial da Secretaria da Segurança Pública (SSP), consolidada até setembro, o Estado contabilizava 56 feminicídios consumados e 183 tentativas. No mesmo período de 2025, foram 60 mortes e 204 tentativas. A comparação entre os nove primeiros meses dos dois anos aponta redução de 6,7% nos feminicídios consumados e de 10,3% nas tentativas.

Esse recorte é anterior ao total de 65 casos que inclui a morte em Sobradinho. As planilhas oficiais, atualizadas em 6 de outubro, também estão sujeitas a revisões decorrentes das investigações, perícias e correções dos registros. Por isso, a contagem mais recente não deve ser tratada como um fechamento estatístico anual.

Entre janeiro e setembro, os registros de violência contra as mulheres no Estado também incluíram 22.737 ameaças, 12.135 lesões corporais e 1.460 estupros, categoria que abrange estupro de vulnerável. São indicadores distintos, que não devem ser somados como se representassem necessariamente vítimas diferentes.

Em todo o ano de 2025, o Rio Grande do Sul teve 80 feminicídios, ante 73 em 2024. O aumento de aproximadamente 10% ocorreu enquanto outros crimes contra a vida, como homicídios dolosos e latrocínios, apresentaram redução.

Vítima já havia procurado a polícia

Julia havia registrado ocorrências contra o ex-companheiro em 2021 e 2023, por injúria e ameaça. Segundo a Polícia Civil, ele foi indiciado nos dois casos. No registro mais recente, ela solicitou medida protetiva, mas não havia uma determinação desse tipo em vigor quando ocorreu o assassinato, conforme a delegada responsável pela investigação.

Familiares começaram a procurá-la depois que ela saiu de casa, no bairro Rio Branco, durante a tarde de domingo, e não retornou. Eles localizaram o corpo no imóvel do ex-companheiro. A Brigada Militar mobilizou equipes de municípios vizinhos nas buscas pelo suspeito.

Julia foi morta com golpes de arma branca e deixa dois filhos, de 15 e 23 anos. O ex-companheiro, suspeito do crime, não havia sido localizado até a manhã de segunda-feira (2).

O que caracteriza feminicídio

O feminicídio é o assassinato de uma mulher por razões relacionadas à condição de mulher, quando envolve violência doméstica e familiar, ou menosprezo ou discriminação. A Lei nº 14.994, de 9 de outubro de 2024, tornou o feminicídio um crime autônomo no Código Penal, com pena de 20 a 40 anos de prisão, além de aumentos previstos para circunstâncias específicas.

Onde buscar ajuda

Em situações de emergência ou quando a violência estiver acontecendo, o telefone é 190, para acionamento da Brigada Militar.

O Ligue 180 funciona gratuitamente, 24 horas por dia, para orientação, informações sobre a rede de atendimento e encaminhamento de denúncias. A própria mulher ou qualquer pessoa que tenha conhecimento da violência pode procurar o serviço.

Brigada Militar / Divulgação
Brigada Militar / Divulgação

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