Rio Grande do Sul recebe lote de antídoto para intoxicação por metanol
- Andrei Nardi

- 13 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Oitenta ampolas do medicamento fomepizol foram entregues ao Estado e serão gerenciadas pelo Centro de Informação Toxicológica para atender casos suspeitos
O Rio Grande do Sul recebeu, na última sexta-feira, 10 de outubro, o primeiro lote do antídoto fomepizol, utilizado no tratamento de intoxicações por metanol. Foram entregues 80 ampolas do medicamento, que ficarão sob a guarda do Centro de Informação Toxicológica (CIT) da Secretaria da Saúde (SES), referência estadual para esses casos.
A chegada do medicamento ocorre em um momento em que o Estado investiga seis casos suspeitos de intoxicação pela substância, além de um caso já confirmado.
Ação nacional de saúde
O envio faz parte de uma ação emergencial do Ministério da Saúde, que está distribuindo 1.500 ampolas do antídoto a 11 estados que registraram ocorrências. Um estoque estratégico adicional de 1.100 ampolas, incluindo uma doação do fabricante, será mantido pelo ministério para novas remessas conforme a necessidade. O fomepizol é um medicamento de alto custo, cuja importação foi viabilizada com apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Distribuição e atendimento no RS
O Centro de Informação Toxicológica, que pode ser acionado 24 horas pelo telefone 0800 721 3000, será responsável por orientar os serviços de saúde e avaliar a necessidade de envio do antídoto para os hospitais.
Segundo a diretora do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), Tani Ranieri, a logística está preparada para atender a demanda. ‘Haverá uma avaliação criteriosa que os médicos do CIT irão realizar em cada caso. Teremos um veículo da secretaria à disposição para fazer o medicamento chegar ao interior ou aonde mais for necessário, o mais rapidamente possível’, afirmou.
Como o antídoto funciona
O fomepizol, apresentado em ampolas de 1,5 mL, atua bloqueando a enzima álcool desidrogenase no fígado. Essa ação impede que o metanol seja convertido em ácido fórmico, uma substância extremamente tóxica que causa os danos mais graves, como cegueira, lesões cerebrais e morte. Antes da chegada do fomepizol, o Sistema Único de Saúde (SUS) já utilizava o etanol farmacêutico como alternativa de tratamento, que também compete com o metanol no organismo.
Casos investigados no estado
Até a tarde de quinta-feira, 9 de outubro, o Rio Grande do Sul tinha um caso confirmado de intoxicação por metanol em um morador de Porto Alegre que consumiu a bebida em São Paulo. Outros seis casos suspeitos estão em investigação nos municípios de Bento Gonçalves, Torres, Novo Hamburgo, Passo Fundo, Viamão e um caso adicional em Porto Alegre de um paciente residente de Roraima.
Sintomas e cuidados
Os sintomas de intoxicação por metanol podem surgir entre seis e 72 horas após a ingestão e incluem dor abdominal, alterações na visão (embaçada ou turva), confusão mental e náusea. Ao apresentar esses sinais após o consumo de bebida alcoólica, a orientação é procurar atendimento médico de emergência imediatamente e informar detalhes sobre a bebida consumida.
Para evitar riscos, a recomendação é verificar a integridade de lacres e rótulos, desconfiar de preços muito baixos e comprar bebidas apenas em estabelecimentos regularizados, exigindo nota fiscal. Mais informações estão disponíveis na página da Secretaria da Saúde.










