Rio Grande do Sul inicia preparativos para a colheita da uva com expectativa de alta na safra
- 4 de jan.
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Produção gaúcha deve atingir até 800 milhões de quilos de uva em 2026; clima causou atraso de 15 dias na colheita
O Rio Grande do Sul, responsável por 90% da vitivinicultura brasileira, entra nas semanas decisivas para o início da colheita da uva de 2026. A estimativa oficial aponta para uma safra robusta, que deve ficar entre 750 milhões e 800 milhões de quilos de uva. O volume representa um crescimento de até 10% em relação ao ciclo anterior, consolidando a importância do estado no setor.
Segundo Luciano Rebellatto, presidente do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do RS (Consevitis-RS), embora a projeção seja positiva, o cronograma de colheita sofreu um atraso de aproximadamente duas semanas em função do comportamento do clima. Para garantir a maturação plena e a qualidade final da produção, os viticultores dependem agora de um período de sol firme ao longo dos meses de janeiro e fevereiro.
Preços, Custos e Rentabilidade
Um dos pontos centrais de discussão para esta safra é o equilíbrio financeiro nas propriedades. Um acordo setorial estipulou o preço mínimo da uva em R$ 1,80 por quilo para a variedade Isabel (15 graus). O valor fica levemente abaixo do custo de produção levantado pelos produtores, que é de R$ 1,82.
No entanto, a expectativa de lucro reside na produtividade por hectare. Enquanto o custo é calculado sobre uma base de 22 toneladas por hectare, a safra atual deve atingir cerca de 25 toneladas. "Isso vai gerar uma lucratividade nas propriedades", explica Rebellatto. Em 2025, o preço praticado pelo mercado ficou em torno de R$ 2,00, e a tendência é que em 2026 o valor de comercialização também consiga superar o piso estabelecido.
Perfil da Produção Gaúcha
Os municípios de Flores da Cunha, Bento Gonçalves, Farroupilha, Caxias do Sul e Garibaldi seguem na liderança do cultivo no estado. O perfil da produção gaúcha é majoritariamente voltado para variedades híbridas e americanas (uvas comuns):
Sucos: Aproximadamente 60% da uva é convertida em suco, produto com alta aceitação internacional.
Vinhos de Mesa: O restante abastece o mercado de vinhos de mesa e espumantes.
O mercado consumidor brasileiro ainda é considerado baixo, com média de 2,1 litros de vinho per capita ao ano, enquanto países europeus registram taxas de até 40 litros. Isso indica um amplo espaço para crescimento do consumo interno.
O Desafio das Importações e o Acordo Mercosul-UE
O setor vitivinícola manifesta preocupação com o avanço do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. O temor principal é a entrada de vinhos europeus com isenção de impostos, o que acirraria a competição com o produto nacional.
"Vamos ser invadidos por vinhos com preços muito competitivos e aí cabe ao setor buscar salvaguarda", ressalta Rebellatto. Entre as soluções propostas estão a restrição de volumes de entrada ou subsídios governamentais para que o produtor brasileiro consiga competir em pé de igualdade com os preços estrangeiros.

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