Presença de arsênio é confirmada no sangue de vítimas de confraternização em Torres
- Andrei Nardi

- 30 de dez. de 2024
- 2 min de leitura
Substância tóxica foi encontrada no sangue de uma vítima fatal e de dois sobreviventes; polícia investiga hipótese de envenenamento
Os primeiros resultados das análises laboratoriais realizadas pelo Hospital Nossa Senhora dos Navegantes confirmaram a presença de arsênio no sangue de uma das vítimas fatais e de dois sobreviventes que participaram de uma confraternização familiar em Torres, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (27) pelo delegado Marcos Vinícius Veloso, responsável pela investigação.
O arsênio, uma substância altamente tóxica, pode levar à morte dependendo da concentração. A investigação considera as hipóteses de envenenamento ou intoxicação alimentar.
Confraternização e mortes
Na segunda-feira (23), sete pessoas de uma mesma família reuniram-se para um café da tarde, onde foi servido um bolo preparado por uma das vítimas. Em seguida, seis delas começaram a passar mal.
Três pessoas morreram:
Neuza Denize Silva dos Anjos, cuja causa da morte foi atribuída a “choque pós-intoxicação alimentar”;
Tatiana Denize Silva dos Anjos;
Maida Berenice Flores da Silva, ambas com parada cardiorrespiratória.
As outras três pessoas, incluindo a mulher que preparou o bolo e o sobrinho-neto dela, uma criança de 10 anos, permanecem hospitalizadas em estado clínico estável.
De acordo com o delegado, a maior concentração de arsênio foi encontrada no sangue da mulher que preparou o bolo, que foi a única a comer duas fatias. Apenas uma pessoa presente na confraternização não consumiu o alimento e não apresentou sintomas.
Investigação e suspeitas
A Polícia Civil investiga o caso e solicitou a necropsia dos corpos no Instituto-Geral de Perícias (IGP). Os resultados devem ser divulgados na próxima semana.
O delegado Veloso também confirmou a exumação do corpo do ex-marido da mulher que fez o bolo. Ele morreu em setembro, inicialmente por suspeita de intoxicação alimentar, mas o caso não foi investigado na época.
“O próprio hospital levou o material para o Centro de Informação Toxicológica, que constatou a presença de arsênio no sangue das vítimas. Agora, estamos apurando como essa substância chegou ao alimento”, explicou o delegado.
O que é arsênio?
Conforme o professor André Valle de Bairros, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o arsênio é um elemento químico com alta toxicidade, e o arsênico é o composto derivado mais tóxico. A ingestão de apenas 100 mg pode ser letal para um adulto.
Apesar de já ter sido utilizado como raticida, seu uso é proibido no Brasil. Hoje, o arsênio tem aplicação restrita na quimioterapia de pacientes com leucemia promielocítica aguda.
“Por não ter cheiro ou gosto, o arsênio pode ser ingerido sem que a vítima perceba. Em alguns locais do mundo, ele contamina fontes de água e alimentos, mas a simples exposição não significa necessariamente intoxicação”, afirmou Bairros.
Próximos passos
A investigação busca esclarecer se o arsênio foi introduzido intencionalmente ou por acidente. Enquanto isso, o caso segue mobilizando autoridades e familiares em busca de respostas para essa tragédia.









