Plantio do milho chega a 80% no RS, mas chuva e frio prejudicam lavouras
Excesso de umidade provoca replantios pontuais e dificulta a adubação; colheita do trigo alcança 34% da área cultivada
O plantio do milho atingiu 80% dos 896.401 hectares previstos para a safra 2026/2027 no Rio Grande do Sul. A chuva frequente, o frio e a pouca luminosidade, porém, retardam o crescimento das plantas e provocam necessidade de replantio em algumas lavouras. Os dados são do Informativo Conjuntural de quinta-feira (29), elaborado pela Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS) e pela Associação Sulina de Crédito e Assistência Rural (Ascar).
A semeadura avançou dois pontos percentuais em uma semana, de 78% para 80%. Apesar das dificuldades, o índice supera os 76% registrados no mesmo período do ano passado e a média de 70% das últimas cinco safras. Os números constam também do levantamento publicado pela Revista Cultivar, com base nas informações da Emater/RS.
O ritmo dos trabalhos varia entre as regiões. Em algumas, os produtores estão próximos de concluir o plantio mais cedo; em outras, dependem da redução da umidade do solo. Parte das áreas será cultivada posteriormente, na safrinha.
Entre as lavouras já implantadas, 95% estão em desenvolvimento vegetativo e 5% em florescimento. O excesso de chuva prejudica a eficiência da adubação com nitrogênio e causa falhas na quantidade de plantas estabelecidas. Nas áreas mais adiantadas, os agricultores mantêm a adubação de cobertura e o controle de plantas daninhas.
As condições sanitárias são consideradas satisfatórias pela assistência técnica, mas a umidade favorece doenças causadas por fungos. Também permanece a necessidade de monitoramento da cigarrinha-do-milho e de percevejos.
O milho destinado à silagem alcançou 60% dos 369.389 hectares projetados. As lavouras apresentam boas condições gerais, embora as baixas temperaturas limitem o crescimento inicial. A produtividade média estimada é de 38.392 quilos por hectare.
Soja chega a 10%, com diferenças entre as regiões
O plantio da soja atingiu 10% dos 6.645.384 hectares previstos no Estado. O índice era de 3% na semana anterior. A semeadura está acima dos 6% registrados no mesmo período da safra passada, mas abaixo da média de 12% das últimas cinco safras.
Na região de Erechim, os trabalhos também chegaram a 10%. Em Passo Fundo, o percentual é de 5%, e em Frederico Westphalen, de 8%. Os dados regionais foram publicados pela Revista Cultivar.
As lavouras implantadas apresentam emergência satisfatória e distribuição uniforme de plantas. A continuidade do plantio depende de condições que permitam a entrada das máquinas e reduzam o risco de danos em terrenos encharcados. A estimativa de produtividade é de 3.183 quilos por hectare.
No arroz irrigado, a semeadura se aproxima da metade dos 861.779 hectares projetados pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). Há lavouras com amarelecimento e quantidade de plantas abaixo do ideal, o que exige replantio. As chuvas também recuperaram os níveis de barragens e mananciais, com maior disponibilidade de água para a safra.
O feijão de primeira safra chegou a 40% dos 24.587 hectares previstos. Cerca de 45% da área estadual será semeada mais tarde, a partir de janeiro, nos Campos de Cima da Serra.
Chuva dificulta a colheita e compromete a qualidade do trigo
A colheita do trigo alcançou 34% dos 763.121 hectares cultivados no Rio Grande do Sul. Outros 44% das lavouras estão maduros, prontos para a operação. A umidade do solo dificulta a entrada das máquinas, enquanto a chuva e a baixa luminosidade prejudicam o enchimento e a qualidade dos grãos.
Os resultados variam entre as regiões. Nas áreas mais afetadas, há grãos germinados e danificados, além de redução do peso usado na classificação comercial. Geadas, granizo e vendavais ao longo do ciclo também contribuíram para perdas. A projeção inicial de produtividade é de 2.833 quilos por hectare.
Entre as demais culturas de inverno, a colheita chegou a 51% na aveia-branca, 65% na canola e 20% na carinata. Na canola, parte dos produtores antecipa a retirada dos grãos, ainda com umidade acima do ideal, o que exige cuidados na secagem e na armazenagem.
Na cevada, 10% das lavouras foram colhidas. A baixa germinação e os níveis elevados de micotoxinas dificultam o atendimento aos padrões da indústria de malte. Conforme a Emater/RS-Ascar, quase toda a produção colhida está sendo destinada à alimentação animal.

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