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Plano Safra 2026/27 bate recorde e soma até R$ 610 bilhões com juros menores para agronegócio e agricultura familiar

  • 30 de jun.
  • 3 min de leitura

Governo federal lança nesta terça-feira os dois pacotes de crédito rural; queda na taxa Selic permitiu redução nas taxas máximas para os produtores

O governo federal lança nesta terça-feira (30 de junho) as duas linhas de financiamento do Plano Safra 2026/27, que juntas devem somar o valor recorde de até R$ 610 bilhões em crédito para o campo. O novo ciclo, que entra em vigor em 1º de julho, divide o montante histórico entre a agricultura empresarial, que contará com R$ 525,1 bilhões, e a agricultura familiar, com previsão de receber entre R$ 83 bilhões e R$ 85 bilhões. A marca do período é o recuo nas taxas de juros de custeio e a transferência de verbas para investimentos em tecnologia e preservação ambiental.

A divulgação das medidas ocorre em duas solenidades separadas no Palácio do Planalto, em Brasília. Pela manhã, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, apresentaram os números voltados aos médios e grandes produtores. No final da tarde, às 17h, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comanda o anúncio para os pequenos agricultores ao retornar de compromissos no Paraguai. A solenidade da agricultura familiar reúne ainda os ministros Fernanda Machiaveli (Desenvolvimento Agrário), Míriam Belchior (Casa Civil), Esther Dweck (Gestão) e Edipo Araujo (Pesca).

Como o dinheiro será distribuído no agronegócio

Para a agricultura empresarial, a distribuição de verbas reflete uma clara mudança de prioridade para a modernização das fazendas. O governo destinou R$ 384,9 bilhões para operações de custeio e comercialização. Esse valor representa uma queda em comparação aos R$ 414,7 bilhões do ciclo anterior. Em contrapartida, os recursos para investimentos saltaram de R$ 101,5 bilhões para R$ 140,2 bilhões.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), os recursos de custeio cobrem despesas com insumos, sementes, defensivos e condução de lavouras e rebanhos. Já as linhas de investimento visam financiar projetos de armazenagem, sistemas de irrigação, adoção de novas tecnologias e renovação de tratores e maquinários agrícolas.

Queda da Selic e juros mais baixos

Impulsionado pelo recuo da taxa Selic de 15% para 14,25% ao ano, o plano reduziu o custo do crédito rural. O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) teve seu orçamento ampliado de R$ 69,1 bilhões para R$ 72,6 bilhões, operando com uma taxa máxima de juros de 9% ao ano. Esse índice está abaixo do patamar de 10% cobrado no ciclo anterior. A redução visa facilitar o acesso de pequenos e médios produtores, de peso expressivo no abastecimento do comércio local.

Para os grandes produtores, o custeio empresarial foi fixado em 12,5% ao ano. Os menores juros do pacote estão no Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), para capacidades de até 12 mil toneladas, e nas ações do RenovAgro voltadas à recuperação e conversão de pastagens, com taxas de 8% e 8,5% ao ano, respectivamente.

Desconto por práticas ecológicas

O programa ampliou os incentivos financeiros à sustentabilidade. O produtor que mantiver sua propriedade regularizada e comprovar boas práticas ecológicas terá direito a uma redução de até 1 ponto percentual na taxa de juros de custeio, dividida em duas etapas:

  • Até 0,5 ponto percentual de desconto para quem possuir o Cadastro Ambiental Rural (CAR) regularizado;

  • Mais 0,5 ponto percentual para quem comprovar práticas de cultivo sustentáveis ou possuir certificações socioambientais validadas.

Exigência de seguro e transição energética

Para reduzir a dependência de socorros financeiros do governo em crises climáticas, as regras de risco foram enrijecidas. A partir de agora, qualquer renegociação de dívidas de custeio agrícola estará condicionada à contratação prévia do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) ou de uma apólice de seguro rural privada. A medida ocorre em meio a discussões na Câmara sobre novos marcos legais para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Na frente de investimentos, o programa InvestAgro foi expandido para financiar a compra de sistemas de geração e distribuição de energia solar, biomassa, energia eólica e baterias para armazenamento energético, reduzindo a despesa de energia elétrica das propriedades rurais.

Recursos abaixo do desejado pelo setor

Apesar do aumento de cerca de 2,6% no valor nominal global em relação aos R$ 594,4 bilhões ofertados no último ciclo, os valores anunciados ficaram aquém das projeções do setor produtivo. Entidades representativas do agronegócio pleiteavam um orçamento entre R$ 623 bilhões e R$ 674 bilhões para compensar os altos custos de produção.

Os próprios ministérios da área técnica haviam solicitado uma verba conjunta de R$ 652 bilhões. O montante final foi limitado pelas restrições de orçamento e pelo teto de gastos do Tesouro Nacional para a equalização de juros bancários.


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