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Pesquisa realizada pela Federação de Empresas de Logística aponta conservação e segurança como principais demandas em rodovias dos Blocos 1 e 2

  • há 1 hora
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Levantamento da Fetransul ouviu 450 usuários e indica que a qualidade da via pesa mais que o valor da tarifa

A conservação das rodovias e a segurança viária aparecem como principais preocupações dos usuários dos Blocos 1 e 2 de concessões estaduais, segundo pesquisa apresentada em 23 de fevereiro pela Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (Fetransul). A divulgação ocorreu na sede da entidade, em encontro direcionado à imprensa e a representantes envolvidos no debate sobre infraestrutura rodoviária.

No Bloco 1, 67,2% dos caminhoneiros apontaram como prioritários problemas como buracos, falta de conservação, ausência de duplicação ou faixas estreitas, riscos de acidentes, carência de serviços e lentidão no tráfego. No Bloco 2, o índice chega a 86,6%, indicando avaliação mais crítica da infraestrutura.

O valor do pedágio aparece com menor peso entre as preocupações centrais. No Bloco 1, 23,7% dos caminhoneiros citaram o custo da tarifa como um dos principais problemas. No Bloco 2, o percentual é de 13,4%.

Quando questionados sobre o que caracteriza um pedágio justo, 86,6% dos entrevistados no Bloco 1 e 84,4% no Bloco 2 afirmaram que a tarifa deve estar vinculada à entrega de benefícios concretos, como boa conservação, aumento da segurança e redução do tempo de deslocamento. Apenas 13,5% no Bloco 1 e 15,7% no Bloco 2 indicaram que nenhuma condição tornaria o pedágio aceitável.

Sobre o modelo de cobrança, 70,9% dos usuários do Bloco 2 concordam com tarifa proporcional ao trecho percorrido, enquanto no Bloco 1 o índice é de 57,1%. No Bloco 1, 42,9% afirmaram não considerar justo pagar pedágio, percentual que cai para 29,1% no Bloco 2.

Em relação ao financiamento de investimentos, 49% dos usuários do Bloco 1 e 66,3% do Bloco 2 consideram justo contribuir financeiramente, desde que os recursos estejam vinculados a melhorias efetivas. A análise dos projetos em curso indica que 31,5% no Bloco 1 e 24,7% no Bloco 2 defendem o cancelamento total das concessões, enquanto a maioria aponta necessidade de revisão e ajustes econômicos.

Ao apresentar os resultados, o presidente da Fetransul, Francisco Cardoso, afirmou que a pesquisa demonstra que o transportador aceita pagar pedágio quando há retorno operacional mensurável, com mais segurança e menor tempo de viagem, o que pode impactar custos logísticos.

Metodologia

A pesquisa foi estruturada a partir de metodologia quantitativa, com questionário elaborado pela SSPP Informações de Mercado. O instrumento utilizou perguntas fechadas, de respostas únicas ou múltiplas, com apoio de cartões contendo as alternativas, que também foram lidas pelos entrevistadores, com o objetivo de padronizar a coleta e permitir comparação entre perfis.

O levantamento foi realizado entre 22 e 28 de janeiro, por meio de 450 entrevistas presenciais individuais, conduzidas por equipe de campo contratada para esse fim. A amostra foi composta por 70% de motoristas de automóveis e camionetes e 30% de caminhoneiros.

No Bloco 2, que concentrou 56% das entrevistas, as abordagens ocorreram em Passo Fundo, Marau, Lajeado e Encantado. No Bloco 1, responsável por 44% da amostra, os entrevistados foram ouvidos em Igrejinha e Parobé. As rodovias pesquisadas foram a RS-239 e a RS-115, no Bloco 1; e a RS-129 e a RS-324, no Bloco 2.

Concessões em andamento

O governo do Estado programou o leilão do Bloco 2 para 13 de março, com entrega de propostas até 9 de março. A concessão prevê prazo de 30 anos e instalação de 24 pórticos de pedágio no sistema free flow ao longo de 409 quilômetros de rodovias estaduais, incluindo as RS-128, RS-129, RS-130, RS-135, RS-324 e RSC-453. O Bloco 1, que abrange rodovias da Região Metropolitana, também está previsto para futura licitação.

Durante a apresentação, a Fetransul entregou ao secretário de Comunicação do Estado, Caio Tomazeli, um ofício com questionamentos técnicos sobre os projetos de concessão. Segundo a entidade, o documento será encaminhado ao governador Eduardo Leite.

No ofício, a federação solicita estimativas técnicas consolidadas sobre tempo médio de deslocamento antes e depois das melhorias previstas, redução estimada de acidentes envolvendo veículos de carga, economia potencial de óleo diesel por trecho e impactos ambientais, com ênfase na redução de emissões de CO₂.

A entidade também pede detalhamento sobre Pontos de Parada e Descanso, incluindo quantidade, localização, cronograma de implantação e capacidade de atendimento aos motoristas profissionais.


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