MPRS denuncia sete pessoas por homicídio e tortura em centro terapêutico de Estação
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Acusação detalha espancamento até a morte, castigos com espingarda de pressão e dopagem forçada contra internos; clínica foi interditada após operação policial
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) ofereceu denúncia contra sete pessoas por crimes de homicídio qualificado, tortura e fraude processual cometidos em um centro terapêutico na zona rural de Estação. A peça, apresentada pelo promotor de Justiça João Augusto Follador, detalha que internos da instituição eram submetidos a espancamentos, privação de liberdade e agressões com espingarda de pressão como método de controle disciplinar.
Homicídio e fraude processual
O fato mais grave descrito na denúncia ocorreu em janeiro de 2026, quando um interno foi morto após ser brutalmente espancado em um dos quartos da unidade. Segundo o MPRS, o homem sofreu múltiplas lesões e foi deixado em estado de debilidade extrema, morrendo pouco tempo depois.
Após o óbito, parte do grupo denunciado tentou apagar vestígios do crime limpando o local e destruindo pertences pessoais da vítima. O objetivo da ação era dificultar a investigação policial, que inicialmente tratou o caso como morte por causas naturais quando o corpo foi levado ao hospital de Getúlio Vargas, em 29 de janeiro.
Tortura sistemática e métodos disciplinares
As investigações da Polícia Civil, que culminaram na Operação Tripalium em 13 de fevereiro, revelaram que a violência era recorrente na então denominada Clínica Reviver. Os internos eram submetidos a:
Castigos físicos e ameaças constantes;
Dopagem forçada por meio de medicamentos;
Disparos de espingarda de pressão;
Agressões com objetos e privação de liberdade.
No dia da operação, 40 policiais localizaram 32 homens adultos vivendo em condições degradantes. As vítimas, provenientes de diversas regiões do país, foram resgatadas e encaminhadas para exames de corpo de delito e assistência social no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Estação.
Responsabilidades e prisões
O grupo denunciado é composto por cinco homens e duas mulheres (mãe e filha). A filha, de iniciais L.R.M., era a proprietária e administradora responsável pela rotina do local. A mãe atuava na condução da clínica e é acusada de incitar o homicídio da vítima em janeiro.
Até o momento, quatro denunciados estão presos: as duas mulheres, capturadas no último final de semana, e dois homens que já haviam sido detidos preventivamente durante a deflagração da operação em fevereiro. Entre os presos estão o companheiro da proprietária e um monitor da unidade.
Histórico do estabelecimento
A Clínica Reviver, situada na comunidade de Navegantes, interior de Estação, possuía registro oficial datado de 21 de agosto de 2025. No entanto, no momento da interdição judicial, o estabelecimento operava com alvará vencido. A investigação apontou que a estrutura física era insuficiente para o número de pacientes e apresentava condições precárias de higiene e alojamento.
O Poder Judiciário determinou a interdição total do local. Durante as buscas, foram apreendidos medicamentos, aparelhos eletrônicos e objetos utilizados para as sessões de tortura. O processo segue agora para a fase de citação dos réus para apresentação de defesa.






