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Leilão do 5G: o que muda na prática para a população brasileira com a tecnologia

  • 5 de nov. de 2021
  • 6 min de leitura

Começou nesta quinta-feira (4/11) o leilão do 5G no Brasil. A abertura foi no auditório da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em Brasília, e o evento deve durar até amanhã. Serão leiloadas as frequências de 700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz, em blocos nacionais e regionais.


A expectativa é de aumento da velocidade da conexão no país, o que vai favorecer as comunicações e o desenvolvimento tecnológico. Mas com a implantação do novo sistema, o que pode mudar na rotina dos brasileiros? Confira abaixo as respostas para algumas perguntas.

  • O que é o 5G?

O 5G é a quinta geração de telefonia móvel. De acordo com a União Internacional de Telecomunicações, é uma nova tecnologia de transporte de dados em redes envolvendo dispositivos móveis. Ele sucede gerações anteriores, mas autoridades e especialistas apontam que terá melhorias não apenas incrementais, mas qualitativas.

Considerado um grande marco tecnológico, o padrão pode viabilizar carros autodirigíveis, procedimentos médicos a distância, automação completa de linhas de produção, vigilância e monitoramento de todo o tráfego urbano, além de entretenimento em altíssima qualidade e conectividade semelhante à encontrada em países desenvolvidos.

  • Qual a diferença do 5G para o 4G?

Enquanto a tecnologia 1G tinha velocidade de 2kbit /s e o 4G garantia tráfego de 1 Gbit /s, o 5G terá velocidade para baixar informações de até 100 1 Gbit /s. Enquanto a latência (diferença na resposta na transmissão de dados) era de 60-98 milissegundos no 4G, no 5G ela será reduzida para menos de 1 milissegundo.


O 5G permite mais dispositivos conectados, o que é relevante com o crescimento da comunicação máquina a máquina; aumenta a velocidade de conexão, o que reduz a dificuldade na comunicação em tempo real, streaming, jogos, transferência de arquivos; diminui a latência (resposta da conexão), contribuindo para que os dispositivos móveis trabalhem mais rápido; e tem maior capacidade de banda, o que é importante diante do aumento de informações que são publicadas e circulam na internet, seja a criação de mais conteúdos ou a melhoria da qualidade, como no áudio ou na definição em vídeo.

  • O uso exige aparelhos compatíveis?

Sim. Os requisitos para a certificação de tais aparelhos para rede 5G já foram aprovados pela Anatel, permitindo que dia a dia o quantitativo de modelos certificados seja incrementado. De acordo com a agência, o primeiro smartphone homologado compatível à tecnologia 5G no Brasil foi lançado no final de junho de 2020. Mas, mesmo com o aparelho em mãos, para que o 5G funcione é necessária a implantação das redes pelas prestadoras.

A consulta aos aparelhos homologados pela Anatel para o 5G está disponível no Sistema de Certificação e Homologação (SCH). No link, é preciso clicar na opção “telefone móvel celular”, em seguida, no filtro “tipo de produto” e “NR” no filtro “tecnologia”.

  • Quando a tecnologia estará disponível no país?

A partir do leilão, as empresas terão as faixas de frequência para explorar serviços baseados na tecnologia, e caberá a elas fazer o lançamento desses serviços. A licitação prevê que elas comecem a oferecer o 5G até 31 de julho de 2022. Atualmente, apenas sete das 27 capitais brasileiras estão totalmente preparadas para a nova tecnologia de comunicações, de acordo com o Conexis Brasil Digital, entidade que reúne as principais operadoras que atuam no Brasil.

  • Vai custar mais caro?

Questionado pela Agência Brasil sobre o mercado e os preços que deverão ser praticados com a chegada da nova tecnologia, o secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Artur Coimbra, afirmou que há uma tendência ao avanço tecnológico com a manutenção de preços, e que a adoção do padrão 5G não será elitizada. “Na prática, haverá uma melhora na dinâmica do custo-benefício. Em telecomunicações, há um fenômeno conhecido de avanço tecnológico sem necessariamente reajuste de preços”, explicou.

  • Algumas operadoras já anunciam tecnologia 5G. É a mesma coisa?

Não. As operadoras que atuam no Brasil estão anunciando o lançamento comercial do 5G com a técnica de compartilhamento das frequências usadas pelo 3G e 4G, o DSS (Dynamic Spectrum Sharing). As prestadoras já iniciaram a preparação das redes atuais para a evolução do 5G, porém, com esse tipo de compartilhamento, ainda não será possível usufruir plenamente das potencialidades do 5G, segundo a Anatel.

  • Os celulares 4G continuarão a funcionar?

Sim, da mesma forma que os com tecnologia 3G e 2G em todas as evoluções tecnológicas dos celulares. Não há previsão para que os sistemas anteriores sejam descontinuados.

  • O leilão do 5G prevê benefícios sociais. Quais são eles?

Os termos do leilão do 5G preveem a obrigação de cobertura das 26 capitais e do Distrito Federal até julho do ano que vem. O serviço deverá cobrir todas as cidades brasileiras com mais de 50 mil habitantes até 2028, enquanto o serviço de 4G deverá cobrir todo o território nacional.


Para o Ministério das Comunicações, a chegada do 5G eliminará um dos grandes empecilhos na universalização do acesso digital, que é a infraestrutura. A pasta diz que o leilão do 5G terá grande parte do dinheiro da concessão revertida para ações de avanço no setor e não terá caráter arrecadatório para o governo.


De acordo com o secretário de Telecomunicações, as metas futuras do Ministério das Comunicações após o leilão do 5G serão de caráter social, com o objetivo de traçar os perfis de brasileiros que ainda não estão incluídos na revolução digital, mesmo após chegar à meta de 100% do território conectado.


Claro, Vivo e TIM arrematam faixa de 3,5 GHz, considerada a principal do leilão

Claro, Vivo e TIM arremataram nesta quinta-feira (4) os três lotes na faixa de 3,5 GHz (gigahertz ), considerada a principal do leilão do 5G realizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).


A faixa de 3,5 GHz foi a segunda faixa a ser licitada no leilão, que começou nesta quinta e deve terminar na sexta-feira.


primeira frequência leiloada foi a de 700 MHz. A Winity II Telecom Ltda, ligada ao Fundo Pátria, foi a vencedora desse lote e, com isso, o Brasil contará com uma nova operadora de telefonia móvel com autorização para oferecer o serviço em todo o país.


No leilão da faixa de 3,5 GHz, os lances vencedores foram:

  • Lote B1 - vencedora Claro - R$ 338 milhões - ágio de 5,18%

  • Lote B2 - vencedora Vivo - R$ 420 milhões - ágio de 30,69%

  • Lote B3 - vencedora TIM - R$ 351 milhões - ágio de 9,22%

O edital previa ainda a oferta de um quarto lote na faixa de 3,5 GHz, com abrangência nacional. Entretanto, não houve lance.


Detalhes da faixa e obrigações


A faixa de 3,5 GHZ é exclusiva para o 5G, com capacidade de transmissão de altíssima velocidade. É a faixa de frequência mais usada no mundo para o 5G, com foco no varejo (consumidores finais) e na indústria. O espectro é considerado ideal para atender áreas urbanas.


A faixa, incluindo os lotes nacionais e regionais, foi orçada em cerca de R$ 30 bilhões, sendo quase R$ 29 bilhões destinados ao cumprimento das obrigações previstas no edital. Entre as obrigações, estão:

  • migrar o sinal da TV parabólica para liberar a faixa de 3,5GHz para o 5G, arcando com os custos;

  • construir uma rede privativa de comunicação para a administração federal;

  • instalar rede de fibra óptica, via fluvial, na região amazônica;

  • levar fibra óptica para o interior do país; e

  • disponibilizar o 5G em todos as capitais até julho de 2022.

Entenda o leilão


De acordo com o edital, serão ofertadas quatro faixas de frequência: 700 MHz (megahertz); 2,3 GHz (gigahertz); 3,5 GHz; e 26 GHz. Essas faixas funcionam como "avenidas" no ar para transmissão de dados.


É por meio das faixas que o serviço de internet será prestado. O prazo de outorga — direito de exploração das faixas — será de até 20 anos.


Cada uma dessas faixas foi dividida em blocos nacionais e regionais. As empresas interessadas farão as ofertas para esses blocos. Por isso, cada faixa de frequência pode ter mais de uma empresa vencedora, com atuações geográficas coincidentes e/ou distintas.


Cada faixa tem uma finalidade específica, então é esperado que atraiam empresas diferentes. Algumas companhias são focadas no varejo e outras em prestação de serviço para o segmento corporativos e para o próprio setor de telecomunicações.


O leilão começou pelos blocos de 700 MHz, depois pelos da faixa de 3,5 GHz; de 2,3 GHz; e terminará com os de 26 GHz. A expectativa é que o certame seja concluído somente na sexta-feira (5).


As faixas de frequência também têm obrigações de investimento que terão que ser cumpridas pelas empresas vencedoras do leilão. As contrapartidas foram definidas pelo Ministério das Comunicações e validadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pela Anatel.


Se todos os lotes oferecidos forem arrematados, o leilão deve movimentar R$ 49,7 bilhões, de acordo com a Anatel. Desse total, R$ 3,06 bilhões para pagamento de outorgas — dinheiro que vai para o caixa do governo, e o restante para cumprir as obrigações de investimento previstas em edital.


A previsão é que o 5G comece a ser ofertado até julho de 2022, inicialmente nas capitais. Depois, o serviço será ampliado gradativamente para as demais cidades até 2029.


Fonte: Estado de Minas e G1


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