Jovem indígena de 21 anos é baleada durante ataque a carro na Terra Indígena Ventarra, em Erebango
Vítima foi atingida nas costas, recebeu atendimento hospitalar em Erechim e teve alta; novo episódio ocorre em meio a uma série de conflitos armados na comunidade
Uma jovem indígena de 21 anos foi baleada nas costas durante um ataque a tiros na tarde de segunda-feira (26), na Terra Indígena Ventarra, em Erebango. A vítima estava acompanhada do companheiro quando o veículo em que viajavam foi interceptado por integrantes de um grupo rival. Ela recebeu atendimento médico em Erechim e já teve alta hospitalar.
O ataque ocorreu por volta das 17h30, em uma via de acesso à comunidade indígena, nas proximidades da ERS-135. Conforme informações da Brigada Militar divulgadas pela GZH, a jovem relatou que retornava para Erebango com o companheiro quando outro automóvel, ocupado por quatro pessoas, interceptou o carro do casal.
A vítima contou aos policiais que reconheceu os ocupantes do outro veículo e os identificou como integrantes de grupos rivais. Um dos homens teria efetuado disparos contra o casal, atingindo a jovem nas costas.
Integrantes da própria comunidade indígena prestaram socorro e encaminharam a mulher ao Hospital Santa Terezinha, em Erechim. Após receber atendimento médico, ela foi liberada. A Brigada Militar registrou a ocorrência, e as circunstâncias e a motivação do ataque serão investigadas.
Conflitos armados se repetem na Terra Indígena Ventarra
O ataque é mais um episódio de violência na Terra Indígena Ventarra, que enfrenta conflitos envolvendo grupos rivais desde 2025. As disputas estão relacionadas à liderança da comunidade e à ocupação de áreas próximas ao território indígena. Os confrontos já provocaram mortes, feridos, incêndios e operações policiais.
Em 7 de março, o líder indígena Sidnei da Silva foi morto a tiros durante um confronto entre grupos rivais. Na ocasião, também houve registro de casas incendiadas. Em abril, uma mulher de 32 anos ficou ferida após ser atingida por um disparo de arma de fogo na comunidade.
Diante da escalada de violência, a Polícia Federal deflagrou, em 13 de maio, a Operação Kòho, com apoio da Brigada Militar. Os policiais cumpriram 18 mandados de busca e apreensão e 11 mandados de prisão preventiva, expedidos pela 3ª Vara Federal de Passo Fundo. Durante as diligências, foram apreendidos armamentos, munições, carregadores e outros materiais relacionados aos confrontos.
A violência continuou nos meses seguintes. Em 22 de agosto, seis pessoas ficaram feridas em um ataque a tiros enquanto indígenas trabalhavam na limpeza do pátio de uma escola da comunidade. Quatro vítimas sofreram ferimentos graves e precisaram de atendimento hospitalar em Erechim.
Mais recentemente, na madrugada de 20 de outubro, moradores relataram novos disparos de arma de fogo. Segundo os relatos, os tiros foram ouvidos durante aproximadamente duas horas, entre 4h e 6h. A Força Nacional monitora a região, onde atua em apoio às ações de segurança.
O ataque de segunda-feira (26) ocorre menos de uma semana depois desses novos registros de disparos. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias do crime e a participação dos envolvidos.






