Grêmio anuncia Pitaco como patrocinadora master em meio à pressão por restrições às bets
Contrato de três anos é estimado em R$ 140 milhões; governo prepara medida provisória, enquanto projeto no Senado prevê proibir patrocínios de casas de apostas
O Grêmio anunciou em 23 de setembro a Pitaco como nova patrocinadora master por três anos. O acordo, estimado pelo ge em aproximadamente R$ 140 milhões, chega enquanto o governo federal prepara restrições às bets e o Senado discute uma proposta que pode retirar as marcas de apostas dos uniformes e das competições esportivas. O clube confirmou a duração da parceria, mas não divulgou o valor.
Os R$ 140 milhões correspondem ao período completo do contrato. Dividido pelos três anos, o montante representa uma média de aproximadamente R$ 46,7 milhões anuais. Esse cálculo não informa como os pagamentos serão distribuídos nem permite separar parcelas fixas e eventuais bonificações. A reportagem do ge também informa que a Pitaco terá de pagar multa caso queira patrocinar o Internacional.
A escolha ocorre depois de dirigentes gremistas manifestarem preocupação com as incertezas legislativas e tributárias do mercado de apostas. O espaço principal da camisa estava sem um parceiro permanente desde o fim de 2025.
O histórico recente inclui problemas com a Alfa Bet, cujo contrato previa R$ 50 milhões por ano. Em junho, o ge informou que a antiga patrocinadora ainda não havia pago as parcelas de um acordo de R$ 12 milhões firmado para quitar valores atrasados. Essa informação retrata a situação naquele momento, sem confirmar o saldo atual da dívida.
A Pitaco aparece na lista de empresas autorizadas pelo Ministério da Fazenda, vinculada à MMD Tecnologia, Entretenimento e Marketing Ltda. A discussão sobre mudanças nas regras, portanto, alcança também empresas que operam com autorização federal.
No governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a intenção de proibir as apostas online. “Nós vamos acabar com as bets. Não é uma guerra, é uma decisão”, afirmou em 23 de setembro, durante um encontro com artistas no Rio de Janeiro, em declaração publicada pela Broadcast.
Até a manhã de 24 de setembro, a medida provisória ainda não havia sido publicada, como registrou o Congresso em Foco. Permaneciam indefinidos o alcance da proibição, os prazos de transição e o tratamento das empresas já autorizadas. A proposta inicialmente discutida se concentrava nos cassinos online, mas o governo passou a considerar uma restrição mais ampla.
Uma medida provisória tem força de lei desde sua edição, observadas as regras de vigência do próprio texto, e precisa ser analisada pelo Congresso para se tornar permanente. O prazo inicial é de 60 dias, prorrogável por mais 60. Assim, uma eventual publicação pode produzir efeitos antes da conclusão das votações parlamentares.
Em outra frente, o Projeto de Lei 2.470/2026 propõe restringir a publicidade das bets e proibir patrocínios a clubes, competições e transmissões esportivas. O substitutivo foi aprovado em 2 de setembro pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática do Senado. Na tramitação consultada, a proposta aguardava a designação de relator na Comissão de Assuntos Sociais. Ainda não é lei.
O texto estabelece até 24 meses, contados da publicação de uma eventual lei, para adequar ou encerrar contratos de patrocínio. Durante essa transição, novos acordos e renovações não poderiam ultrapassar a data final prevista. Para outras ações de publicidade proibidas pela proposta, o prazo seria de 365 dias. Esses períodos ainda não começaram a correr.
A possibilidade de restrições provocou reação dos clubes. Em manifesto divulgado em 17 de setembro, equipes estimaram perdas de R$ 1 bilhão em patrocínios caso os contratos fossem proibidos. Trata-se de uma projeção dos próprios times. A coalizão Brasil Contra Bets, formada por 22 organizações, contestou o argumento e defendeu que a proteção da saúde e da renda das famílias deve prevalecer sobre os interesses comerciais.
O anúncio público do Grêmio não detalha garantias de pagamento nem cláusulas específicas para mudanças na legislação. Sem essas informações e sem o texto definitivo das novas regras, não é possível calcular uma eventual perda do clube ou afirmar que o contrato será rescindido.

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