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Governo federal projeta salário mínimo de R$ 1.717 para 2027

  • 17 de abr.
  • 2 min de leitura

Proposta prevê reajuste de 5,92% baseado na inflação e no crescimento do PIB; valor final depende de índices econômicos de dezembro

O governo federal projeta que o salário mínimo subirá para R$ 1.717 em janeiro de 2027, com os pagamentos sendo efetuados a partir de fevereiro. A estimativa consta no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, que será encaminhado ao Congresso Nacional nesta quarta-feira (15). O valor representa um aumento nominal de R$ 96 (5,92%) em relação ao piso atual de R$ 1.621.

Regras de cálculo

O cálculo para o reajuste do salário mínimo em 2027 segue o modelo que soma dois indicadores econômicos:

  1. Inflação: medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 12 meses até novembro;

  2. Crescimento real: variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores. No caso de 2027, será considerado o PIB de 2025, que registrou alta de 2,3%.

Pela regra aprovada pelo Congresso em 2024, o aumento real (acima da inflação) está limitado a um teto de 2,5%, acompanhando os limites do arcabouço fiscal para despesas públicas. Esta restrição tem vigência prevista até o ano de 2030.

Alcance social

De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), o salário mínimo serve de referência para 61,94 milhões de pessoas no país. Desse total, 29,27 milhões são beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Dados de setembro de 2025 indicam que benefícios de até um salário mínimo representam 46% da massa total de pagamentos e atendem a 70,8% dos segurados.

Em janeiro de 2026, a instituição do salário mínimo completou 90 anos, tendo sido criada em 1936 no governo de Getúlio Vargas (Lei 185). Atualmente, o DIEESE estima que o valor necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.425,99 — aproximadamente 4,58 vezes o valor reajustado atual.

Impacto Fiscal

A política de reajuste real é objeto de análise por economistas devido ao seu impacto direto nas contas públicas. A limitação do aumento real a 2,5%, proposta pela equipe econômica, deve gerar uma redução de gastos de R$ 110 bilhões entre 2025 e 2030 em benefícios previdenciários e assistenciais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Analistas recomendam a desindexação do salário mínimo em relação ao PIB, retornando ao modelo de correção apenas pela inflação. Estudos da consultoria de Orçamento da Câmara estimam que a correção exclusivamente inflacionária poderia reduzir as despesas públicas em mais de R$ 1 trilhão em um período de dez anos.

O valor definitivo do piso salarial para 2027 só será conhecido em dezembro de 2026, após a divulgação oficial do INPC consolidado.


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