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Golpe do falso advogado volta a fazer vítimas no RS com envio de documentos forjados

  • 29 de jul.
  • 3 min de leitura

Estelionatários utilizam timbres da Justiça e dados reais de processos no WhatsApp para cobrar taxas indevidas via Pix

A aplicação do golpe do falso advogado voltou a registrar tentativas no Rio Grande do Sul, com criminosos utilizando documentos forjados e timbres do Poder Judiciário para cobrar taxas fictícias de clientes por meio de aplicativos de mensagem. A fraude consiste na abordagem de pessoas que possuem ações judiciais em andamento, prometendo o resgate imediato de indenizações ou precatórios mediante depósitos antecipados via Pix.

Os estelionatários monitoram os sistemas de consulta processual na internet para coletar nomes, números de CPF e dados das ações. Em seguida, entram em contato com as partes se passando por advogados ou representantes de escritórios, apresentando notificações com linguagem técnica e logotipos oficiais para conferir veracidade à abordagem.

Tentativa recente expõe o modus operandi dos criminosos

Um caso registrado na sexta-feira (24 de julho) ilustra a forma de atuação dos golpistas. O idoso Antônio Carlos Nunes Golgo, de 75 anos, recebeu uma mensagem no WhatsApp vinda de um perfil falso que se apresentava como sua advogada, informando a suposta vitória em uma ação judicial.

A abordagem continha a imagem de uma autorização judicial forjada, com o timbre do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), o Brasão da República e o selo do Superior Tribunal de Justiça (STJ), informando a liberação de R$ 5 mil. O processo citado (nº 5225140-65.2024.8.21.0001/RS), no entanto, havia sido extinto sem resolução de mérito em 14 de maio de 2026, e nenhuma ordem de pagamento havia sido expedida pela vara responsável.

Após a constatação da fraude pelo filho da vítima, o advogado Marcelo Paiva Golgo, a ocorrência foi registrada na Polícia Civil. O fato também foi formalmente comunicado à Corregedoria e Ouvidoria do TJRS e ao Ministério Público por meio de notícia-crime.

Documentos falsificados e cobrança de taxas via Pix

A estratégia dos estelionatários baseia-se na exigência de depósitos sob a justificativa de custear taxas cartorárias, custas processuais ou impostos necessários para a liberação dos valores. Para convencer os atingidos, os golpistas utilizam informações públicas de processos e dados pessoais obtidos por vazamentos de cadastros.

O uso indevido de nomes de advogados e de símbolos oficiais do Poder Judiciário induz ao erro, atingindo principalmente idosos e servidores públicos com ações tramitando na Justiça.

Orientação e medidas de prevenção para os cidadãos

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Rio Grande do Sul (OAB/RS), em parceria com a Polícia Civil, mantém a campanha "A Melhor Proteção é a Informação" com orientações de prevenção para conter as investidas dos criminosos no Estado.

Para evitar prejuízos financeiros com a fraude, a recomendação é adotar os seguintes procedimentos:

  • Desconfiar de cobranças antecipadas: nem o Poder Judiciário nem os escritórios de advocacia exigem pagamentos prévios via Pix para efetuar a liberação de alvarás ou precatórios.

  • Checar o canal de contato: jamais utilize os números telefônicos ou links fornecidos nas mensagens suspeitas; contate o escritório de advocacia apenas pelos telefones oficiais previamente cadastrados.

  • Verificar a situação do processo: consulte o andamento da ação diretamente nos canais oficiais do tribunal ou com a equipe responsável pela sua defesa.

  • Registrar ocorrência policial: em caso de tentativa de golpe, faça o boletim de ocorrência na Polícia Civil e informe o advogado do caso para a adoção das medidas cabíveis.

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