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Estudo projeta 13,3 mil mortes adicionais por calor no Brasil durante El Niño

há 6 horas
2 min de leitura

Estimativa mundial chega a 451 mil entre junho e fevereiro de 2027; pesquisadores defendem medidas de proteção para reduzir os impactos

Pesquisadores do Climate Impact Lab estimam 13,3 mil mortes adicionais relacionadas ao calor no Brasil entre setembro e fevereiro de 2027. O país aparece em quinto lugar na projeção, atrás de Nigéria, Indonésia, Sudão e Índia. Desse total brasileiro, oito mil mortes são projetadas para o período de dezembro a fevereiro.

No mundo, a estimativa é de 451 mil mortes adicionais entre junho e fevereiro de 2027. Para o intervalo de setembro a fevereiro, são 239 mil. Os números representam estimativas estatísticas de excesso de mortalidade associado às temperaturas, não uma contagem de óbitos confirmados.

Os pesquisadores combinaram previsões de temperatura com relações entre calor e mortalidade em 24.378 regiões, usando o período de 1996 a 2025 como referência. Também projetam 44% mais dias extremamente quentes e temperaturas terrestres globais cerca de 1,2°C acima dessa referência. A análise considera diferenças locais de clima, vulnerabilidade e capacidade de adaptação.

O relatório reúne pesquisadores como Michael Greenstone, da Universidade de Chicago, e Tamma Carleton, da Universidade da Califórnia em Berkeley. Os autores defendem que governos direcionem recursos às áreas de maior risco, com alertas antecipados, espaços de resfriamento, acesso à água, proteção a trabalhadores expostos ao calor e preparação dos serviços de saúde. Essas medidas podem evitar parte das mortes estimadas.

O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial central e oriental, capaz de alterar a circulação atmosférica, as chuvas e as temperaturas em diferentes partes do planeta. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) prevê intensidade muito forte e probabilidade próxima de 100% de persistência até fevereiro de 2027, com pico esperado para o fim deste ano. A intensidade do fenômeno, porém, não determina sozinha a gravidade dos efeitos em cada região, que também dependem da estação e de outras condições climáticas.

No Rio Grande do Sul, os meteorologistas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) projetam chuvas acima da média entre outubro e dezembro. Para as temperaturas, a previsão indica valores próximos à média no centro e no leste do estado e abaixo da média no oeste e no sul gaúcho. Em grande parte do Brasil, especialmente no Norte e em áreas do Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, a expectativa é de temperaturas superiores às médias históricas.

A exposição ao calor intenso pode provocar desidratação, agravar doenças cardíacas e respiratórias e causar golpe de calor, quando o organismo perde a capacidade de controlar a própria temperatura. Crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e população em situação de rua estão entre os grupos mais vulneráveis.

O Ministério da Saúde orienta beber água regularmente, usar roupas leves, permanecer em ambientes frescos e deixar atividades ao ar livre para os horários menos quentes. Fraqueza, tontura, náuseas e dor de cabeça exigem atenção e avaliação de saúde. Confusão mental, convulsões ou perda de consciência são sinais de emergência; nesses casos, deve-se buscar atendimento imediato ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo 192.


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