Criminosos utilizam chaves Pix para desviar restituições do Imposto de Renda
- 22 de mar.
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Fraude ocorre por meio da abertura de contas bancárias em nome de terceiros com CPFs vinculados como chaves de pagamento; Receita e bancos divergem sobre responsabilidades
Contribuintes e especialistas alertam para uma modalidade de fraude que desvia a restituição do Imposto de Renda (IR) 2026 (ano-base 2025) por meio do uso indevido de chaves Pix. O golpe consiste na abertura de contas bancárias fraudulentas em nome das vítimas, onde os criminosos cadastram o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do contribuinte como chave Pix, garantindo o recebimento automático do valor devido pela Receita Federal.
Desde 2022, a Receita Federal utiliza o CPF como chave única para o pagamento da restituição via Pix, visando reduzir erros de preenchimento e acelerar o processo. Em 2026, a relevância do mecanismo aumentou com a criação do "cashback do IR", modelo que prevê a devolução automática de valores para trabalhadores de baixa renda, mesmo aqueles desobrigados de apresentar a declaração anual.
Posicionamento da Receita Federal e da Febraban
A Receita Federal admite o conhecimento da fraude e afirma que criminosos exploram brechas em instituições financeiras para abrir contas com documentos falsos. O órgão declara que não possui mecanismos próprios para verificar a titularidade das contas vinculadas ao Pix, atribuindo essa responsabilidade ao sistema financeiro. A orientação oficial é que o contribuinte cadastre previamente sua chave Pix-CPF em uma conta de sua confiança.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) contesta a possibilidade de cadastramento de CPF em conta de titularidade distinta. Segundo a entidade, as fraudes geralmente decorrem de "engenharia social", como o phishing (mensagens falsas para roubo de dados). A federação recomenda que usuários não compartilhem informações sensíveis e ressalta que não responde por instituições financeiras não associadas.
Para evitar o desvio, as recomendações técnicas incluem:
Cadastro antecipado: vincular o CPF como chave Pix em uma conta bancária de titularidade comprovada do contribuinte;
Consulta ao Registrato: utilizar o sistema do Banco Central para monitorar chaves Pix e contas abertas em seu nome;
Acompanhamento: monitorar regularmente o status da restituição no portal da Receita Federal.
Caso o desvio seja identificado, a orientação é acionar imediatamente a Receita Federal, a instituição financeira envolvida para rastreamento da transação e registrar ocorrência policial.






