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Conselhos de Educação do Alto Uruguai discutem preparação das escolas para os impactos do El Niño

há 12 horas
3 min de leitura

Encontro realizado em Erechim abordou medidas de prevenção e planos de contingência; previsão indica chuvas acima da média no Sul entre novembro e janeiro

A preparação das escolas do Alto Uruguai para possíveis eventos climáticos extremos associados ao El Niño de 2026 e 2027 foi um dos principais assuntos discutidos pelos Conselhos Municipais de Educação da região. O encontro aconteceu na terça-feira (27), na Secretaria Municipal de Educação de Erechim, com representantes dos municípios integrantes da Associação de Municípios do Alto Uruguai (AMAU).

A reunião contou com uma formação sobre prevenção, resposta e recuperação diante de desastres climáticos, ministrada pela professora Sônia Balvedi Zakrzevski, da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), e por Gentil Junior Siteneski. Entre os assuntos abordados estiveram a segurança das instituições de ensino, a proteção dos estudantes e a elaboração de planos de contingência para situações que possam comprometer o funcionamento das escolas.

A atividade foi conduzida pela coordenadora dos Conselhos Municipais de Educação, Márcia Lando, acompanhada das vice-coordenadoras Denise Sponchiado e Marissânia Bortolo. Além dos riscos climáticos, os participantes discutiram sustentabilidade socioambiental, financiamento da educação e a elaboração dos Planos Municipais de Educação.

El Niño aumenta preocupação com chuvas intensas no Sul

A discussão ocorre em um período de intensificação do El Niño, fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, capaz de alterar os padrões de temperatura e precipitação em diferentes regiões do planeta.

Para o trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027, há maior probabilidade de chuvas acima da média na Região Sul. A informação integra o boletim divulgado na quinta-feira (29) pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em conjunto com outros seis órgãos federais de monitoramento climático.

As projeções indicam que o El Niño poderá atingir intensidade muito forte a partir de novembro, aumentando a preocupação com possíveis ocorrências de chuvas intensas, alagamentos, enxurradas e outros eventos extremos. A intensidade e a distribuição desses fenômenos dependem das condições atmosféricas e não podem ser determinadas apenas pela presença do El Niño.

No ambiente escolar, esses episódios podem provocar danos estruturais, interrupção das aulas, dificuldades no transporte de estudantes e riscos à segurança de alunos e profissionais.

Orientações para prevenir riscos nas escolas

Uma nota técnica elaborada pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em parceria com o Instituto Alana, apresenta recomendações para a preparação das redes de ensino diante dos possíveis impactos do El Niño.

Entre as medidas estão a identificação de riscos nas escolas e em seus arredores, a articulação entre secretarias de Educação e a Defesa Civil, a criação de sistemas de comunicação e alerta e a realização de treinamentos e simulados de emergência.

O documento também orienta os gestores a planejar alternativas para garantir a continuidade das atividades escolares em situações de desastre. Isso inclui estratégias para manter o ensino, a alimentação escolar e o acolhimento da comunidade quando as instalações forem atingidas ou precisarem ser temporariamente desocupadas.

Essas são recomendações técnicas nacionais, que podem ser adaptadas à realidade de cada município. O encontro em Erechim abordou a necessidade de planejamento e prevenção, mas não anunciou a implantação de medidas específicas nas escolas da região.

Planejamento educacional e mudanças climáticas

Os conselhos também discutiram a inclusão da sustentabilidade socioambiental nos Planos Municipais de Educação, instrumentos que estabelecem metas e prioridades para as políticas educacionais.

O assunto está relacionado ao Plano Nacional de Educação (PNE) 2026-2036, que prevê ações de educação ambiental, prevenção de desastres, adaptação climática e melhoria das condições de infraestrutura das escolas.

A legislação estabelece que os municípios devem elaborar ou adequar seus planos de educação até 14 de julho de 2027. As orientações nacionais incluem a avaliação das condições das escolas, a identificação de áreas vulneráveis e o planejamento de investimentos para reduzir os riscos associados a eventos climáticos extremos.

A reunião dos Conselhos Municipais de Educação também tratou da autonomia dos municípios, da cooperação entre as redes de ensino e dos mecanismos de acompanhamento dos recursos destinados à educação básica.

AMAU / Divulgação
AMAU / Divulgação

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