Comboios e protestos contra pedágios prometem mobilizar Porto Alegre na próxima terça-feira
- há 1 hora
- 2 min de leitura
Manifestantes planejam marcha até o Palácio Piratini em tentativa de suspender leilão de rodovias agendado para 10 de junho; trânsito na Região Metropolitana deve sofrer impactos
Setores do transporte de cargas, entidades agrícolas e frentes parlamentares de oposição preparam para a próxima terça-feira, 2 de junho, uma mobilização de grande porte rumo a Porto Alegre para tentar barrar o leilão de concessões rodoviárias agendado para 10 de junho. Batizado de "Comboio RS Pedágio, Não!", o movimento concentra suas principais contestações no Bloco 2 de concessões do governo gaúcho, o qual prevê a privatização da ERS-135.
O destino final dos manifestantes é o Centro Histórico da capital, com concentração programada em frente ao Palácio Piratini a partir das 12h. O objetivo principal do ato é exigir que o Executivo suspenda ou altere as regras tarifárias do edital antes da abertura dos envelopes na Bolsa de Valores.
No Norte do estado, a maior preocupação reside na transferência da praça de pedágio da ERS-135, situada no quilômetro 18, em Coxilha. Atualmente sob a gestão estatal da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), a praça cobra tarifas consideradas baixas pelas comunidades lindeiras. Com a migração para a iniciativa privada, os moradores e produtores projetam uma elevação expressiva nas tarifas de partida. Além disso, a previsão de instalação do sistema de livre fluxo (free-flow), com pórticos de leitura automática em substituição ou complemento às praças físicas, é apontada pelas prefeituras locais como um entrave para os moradores de Getúlio Vargas e Estação que se deslocam diariamente para trabalhar ou estudar em Passo Fundo e Erechim, encarecendo os trajetos diários de curta distância.
Representantes do agronegócio regional, incluindo cooperativas de grãos e transportadores de aves e suínos da rota Erechim-Passo Fundo, alertam que os custos de frete estimados sob o novo modelo podem comprometer a margem de lucro da produção agroindustrial regional. A Associação de Municípios do Alto Uruguai (AMAU) e a Associação de Municípios do Planalto (AMPLA) demandam formalmente que o contrato da futura concessionária estabeleça a execução obrigatória de duplicações totais da pista simples da ERS-135 já nos primeiros anos de vigência do contrato. As entidades temem que a região sofra o mesmo cenário verificado na Serra Gaúcha pela concessionária CSG (Bloco 3), em que as tarifas registraram reajuste de 36% em três anos sem que obras estruturais de duplicação fossem entregues.
Em contrapartida, o governo do Estado defende o programa de concessões por 30 anos como o único mecanismo capaz de aportar os investimentos bilionários exigidos para duplicar pistas simples, alargar acostamentos e garantir serviços de socorro médico e guincho nas rodovias estaduais. A Secretaria de Parcerias e Concessões do Rio Grande do Sul reitera que o modelo de free-flow é tecnicamente superior por fracionar a tarifa de acordo com o trecho percorrido pelo usuário, reduzindo desigualdades tarifárias e eliminando barreiras físicas de contenção de fluxo.
Em virtude do deslocamento previsto dos comboios intermunicipais de cargas nas rodovias de acesso a Porto Alegre, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Brigada Militar recomendam que os motoristas evitem as vias arteriais no período da manhã e início da tarde de terça-feira, planejando rotas alternativas devido à alta probabilidade de congestionamentos nos acessos ao palácio governamental.






