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Colheita da soja atinge 50% da área no RS sob impacto de chuvas e variabilidade produtiva

  • 17 de abr.
  • 3 min de leitura

Informativo da Emater detalha riscos fitossanitários no milho, conclusão da primeira safra de feijão e desafios térmicos na pecuária leiteira e de corte

A colheita da soja no Rio Grande do Sul avançou de forma descontínua e atingiu 50% da área total de 6.624.988 hectares cultivados na safra 2025/2026. Segundo o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (16/04), o excesso de umidade no solo e nas plantas, causado por precipitações de volumes heterogêneos, tem restringido a trafegabilidade das máquinas e interrompido as operações de campo.

Situação das Culturas de Verão

Soja

A amplitude das épocas de sementeira reflete-se no estado atual das lavouras: além da metade já colhida, 36% estão em maturação e 14% ainda se encontram em fases de enchimento de grãos e floração. A produtividade média estadual é de 2.871 kg/ha, mas os resultados são irregulares. Enquanto áreas com manejo tecnificado apresentam rendimentos adequados, lavouras afetadas por falhas na distribuição hídrica registram perdas que colocam a produtividade abaixo do custo de produção.

Milho e Silagem

  • Milho Grão: A colheita atingiu 86% da área de 803.019 hectares. A produtividade média é de 7.424 kg/ha. Embora as chuvas recentes tenham favorecido lavouras tardias, o déficit hídrico anterior reduziu o número de grãos por espiga e a massa de grão em parte da produção. Em lavouras de "safrinha", persistem riscos fitossanitários, como a ocorrência de pragas e a susceptibilidade a patógenos em ambientes húmidos.

  • Milho Silagem: Com 83% da área de 345.299 hectares colhida, a produtividade média é de 37.840 kg/ha. O porte das plantas é inferior ao desejado devido à seca em fases anteriores, mas a umidade atual permitiu manter a área foliar verde, facilitando ajustes na altura de corte. A qualidade nutricional é superior à de anos anteriores, reduzindo a necessidade de suplementos concentrados.

Arroz

A colheita alcançou 74% dos 891.908 hectares, com produtividade projetada em 8.744 kg/ha. De acordo com o Instituto Riograndense do Arroz (IRGA), a umidade do solo desacelerou os trabalhos, mas a qualidade do grão é elevada, com bons índices de rendimento de engenho.

Produção de Feijão

  • 1.ª Safra: colheita concluída em 23.029 hectares, com média de 1.781 kg/ha. Nos Campos de Cima da Serra (responsáveis por 40% da área), o clima adverso em janeiro e fevereiro baixou a produtividade para cerca de 1.200 kg/ha.

  • 2.ª Safra: A área de 11.690 hectares apresenta bom desenvolvimento, carga de vagens elevada e ótimo enchimento de grãos. A produtividade estimada é de 1.401 kg/ha.

Pecuária e Sistemas Forrageiros

O período é de transição forrageira, com perda de qualidade nas pastagens de verão e avanço na germinação das espécies de inverno após as chuvas recentes.

  • Bovinocultura de Corte: O estado corporal dos animais é considerado adequado e as condições sanitárias em Passo Fundo estão dentro do esperado. No entanto, em Caxias do Sul, o calor excessivo gera preocupação com perdas reprodutivas, como reabsorção embrionária e abortos por estresse térmico.

  • Bovinocultura de Leite: registrou-se queda de produção devido ao declínio das pastagens e stresse térmico. Em Santa Rosa, o excesso de calor reduziu o tempo de pastoreio dos animais, que procuram sombra com mais frequência, enquanto as chuvas provocaram a formação de lama nas instalações.

  • Investimento Social: em Manoel Viana, Santana do Livramento, Hulha Negra e Candiota, produtores assentados estão a utilizar recursos do Pronaf-A para renovação e melhoria genética dos rebanhos.

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