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Butantan vai produzir no Brasil remédio contra o câncer para pacientes do SUS

  • há 7 horas
  • 2 min de leitura

Parceria para fabricação do pembrolizumabe prevê transferência de tecnologia em dez anos; demanda no sistema público pode saltar de 1,7 mil para 13 mil atendimentos anuais

A produção nacional do pembrolizumabe, um medicamento avançado para o tratamento do câncer, será assumida gradualmente pelo Instituto Butantan após acordo firmado com a farmacêutica norte-americana MSD. A parceria, anunciada no Rio de Janeiro durante o evento Diálogo Internacional – Desafios e Oportunidades para a Cooperação em Tecnologias em Saúde, projeta ampliar o atendimento atual de 1,7 mil pacientes para cerca de 13 mil pessoas ao ano no Sistema Único de Saúde (SUS).

O medicamento é uma imunoterapia que estimula o sistema imunológico a combater células cancerígenas, apresentando menor toxicidade em comparação à quimioterapia tradicional. Atualmente, o Ministério da Saúde compra o insumo diretamente da MSD para tratar casos de melanoma metastático (câncer de pele agressivo), a um custo anual de R$ 400 milhões.

Expansão do tratamento

A estimativa de aumento na demanda para 13 mil pacientes por ano depende da aprovação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC). O órgão avalia a inclusão do pembrolizumabe para o tratamento de outros quatro tipos de câncer:

  • Colo do útero;

  • Esôfago;

  • Mama triplo-negativo;

  • Pulmão.

Segundo a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda De Negri, a produção local visa reduzir custos e garantir a segurança do abastecimento. "A produção nacional deixa o paciente com mais garantias de que o medicamento não vai faltar por conta de eventos externos que causem interrupção de cadeias logísticas", afirmou a secretária.

Cronograma de transferência tecnológica

O acordo é fruto de um edital lançado pelo Ministério da Saúde em 2024 e integra a estratégia nacional para nacionalizar 70% dos insumos de saúde em dez anos. O processo de transferência de tecnologia será iniciado após a aprovação das novas indicações clínicas pelo SUS e seguirá etapas graduais:

  1. Fase Inicial: Rotulagem e envase pelo Butantan;

  2. Fase Intermediária: Formulação do medicamento;

  3. Fase Final: Produção do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA).

Rodrigo Cruz, diretor executivo de Relações Governamentais da MSD Brasil, detalhou que a produção do IFA nacional deve ser atingida em até oito anos, completando o ciclo de um medicamento 100% brasileiro em dez anos. O objeto da parceria foca em uma molécula nova, permitindo que o Butantan desenvolva competência para fabricar moléculas similares no futuro.

Contexto institucional

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que participou da abertura do evento de forma remota, afirmou que a saúde é tratada atualmente como um eixo de desenvolvimento econômico e inovação. Padilha destacou que o SUS representa um dos maiores mercados estruturados do setor em termos de escala e capacidade de absorção tecnológica.

O contrato estabelece que, ao final do processo, o Instituto Butantan deterá a capacidade plena de fabricação do remédio, assumindo a autonomia total da produção prevista no cronograma de transferência.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

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