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Brasil projeta safra recorde de 336,1 milhões de toneladas de grãos; produção no RS recua 9%

  • 13 de jun. de 2025
  • 3 min de leitura

Aumento de 13% na produção nacional é impulsionado pela alta produtividade da soja, milho e arroz, enquanto estiagem afeta resultado gaúcho

O Brasil deve colher uma safra recorde de 336,1 milhões de toneladas de grãos no ciclo 2024/2025, um aumento de 13% em comparação com a safra anterior. O volume, que representa um acréscimo de 38,6 milhões de toneladas, foi divulgado nesta quinta-feira, 12 de junho, no 9º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O resultado histórico é atribuído principalmente à alta produtividade nas lavouras de soja, milho e arroz, além da ampliação de 2,3% na área plantada nacional, que equivale a 1,9 milhão de hectares.

Em contraste com o cenário nacional, o Rio Grande do Sul enfrenta uma retração na produção. A estimativa para o estado é de 33,52 milhões de toneladas, uma queda de 9% em relação à safra passada, mesmo com um avanço de 0,3% na área plantada, que totalizou 10,44 milhões de hectares. O estado se mantém como o quarto maior produtor de grãos do país, atrás de Mato Grosso, Paraná e Goiás.

Estiagem explica retração na safra gaúcha

Segundo o presidente da Conab, Edegar Pretto, a estiagem foi o fator determinante para o resultado negativo no estado.

“Esse foi o principal fator que contribuiu para a redução da safra gaúcha. Apesar disso, arroz e milho apresentaram bom desempenho. No trigo, ainda em fase inicial de semeadura, a projeção da produtividade é positiva”, afirmou.

A seca impactou severamente a soja, principal cultura agrícola gaúcha.

Soja sente os efeitos da estiagem

A produção de soja no estado está estimada em 14,28 milhões de toneladas, uma queda expressiva de 27,3% em relação ao ciclo anterior, causada pela baixa produtividade. Embora a área cultivada tenha aumentado 1,3%, para 6,85 milhões de hectares, a colheita, já praticamente finalizada, apresentou resultados irregulares, com produtividade variando de menos de 500 kg/ha a 3.600 kg/ha. A qualidade dos grãos também foi comprometida.

Arroz e milho compensam parte das perdas

Apesar dos problemas com a soja, outras culturas tiveram desempenho positivo. A produção de arroz deve alcançar 8,3 milhões de toneladas, uma alta de 15,9% frente à safra anterior, com a área plantada crescendo 5,7% e chegando a 951,9 mil hectares. A colheita está concluída e as lavouras se desenvolveram bem, beneficiadas pela luminosidade e oferta de água, apesar de atrasos pontuais na semeadura e da grande amplitude térmica entre janeiro e março, que afetou a qualidade em algumas áreas.

O milho da 1ª safra também registrou recuperação, com produção estimada em 5,51 milhões de toneladas, um crescimento de 13,5%. A área cultivada, no entanto, diminuiu 11,8%, ficando em 718,7 mil hectares. Com mais de 96% da área colhida, o RS continua sendo o maior produtor do cereal na 1ª safra.

Trigo tem projeção positiva e feijão registra queda

Para a safra de 2025, a semeadura do trigo já foi iniciada. A projeção é de uma produção de 4,06 milhões de toneladas, 3,7% superior à do ciclo anterior, mesmo com uma previsão de redução de 4,4% na área plantada, que deve totalizar 1,28 milhão de hectares. A retração na área é atribuída à rentabilidade da cultura, riscos climáticos e oferta de sementes, mas modelos estatísticos preliminares indicam boa produtividade.

A produção de feijão (preto e cores), por sua vez, apresentou diminuição. A colheita deve totalizar 67,6 mil toneladas, uma queda de 5,7%, enquanto a área plantada recuou 17,3%, para 40,1 mil hectares. Estiagens, calor excessivo e chuvas no final do ciclo prejudicaram especialmente a segunda safra da cultura.

Foto: Gustavo Porfino - Embrapa
Foto: Gustavo Porfino - Embrapa

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