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[ÁUDIO] Escuta Aqui | 11/05/2026 - O avanço da ansiedade: como o estilo de vida moderno transforma um alerta natural em adoecimento mental

  • 12 de mai.
  • 3 min de leitura

Psicóloga Jordana Calcing explica a fronteira entre a expectativa natural e o transtorno incapacitante, alerta para os perigos da hiperconectividade na infância e ensina técnicas de regulação emocional

Em entrevista ao programa Escuta Aqui, da Rádio Sideral, nesta segunda-feira (11 de maio), a psicóloga Jordana Calcing afirmou que o imediatismo imposto pela tecnologia está condicionando o cérebro humano a um estado de alerta constante, transformando a ansiedade natural em uma epidemia de adoecimento mental. Segundo a especialista, a necessidade de respostas instantâneas no cotidiano impede o relaxamento e adoece a população em diferentes faixas etárias.

O instinto ansioso, por si só, não é um vilão. Ele faz parte da natureza humana e funciona como um motor para situações positivas, como a expectativa para uma viagem ou uma conquista. "A ansiedade passa a ser um problema quando traz sofrimento ou começa a comprometer a nossa funcionalidade no dia a dia", explica Jordana. O ponto de virada ocorre quando esse sistema de defesa orgânico se desregula e passa a operar de forma ininterrupta.

O peso da vida digital

Para a psicóloga, a configuração da sociedade contemporânea funciona como um gatilho constante para o transtorno. A hiperconectividade e as redes sociais alteraram a forma como o cérebro processa o tempo de espera.

"O estilo de vida moderno potencializa os sintomas. Mandar uma mensagem e querer que o outro responda na hora faz com que o nosso cérebro fique condicionado a exigir respostas rápidas para tudo", pontua a especialista. Esse excesso de estímulos gera uma sensação crônica de insegurança. "Muitas pessoas não conseguem relaxar. O cérebro emite mensagens o tempo inteiro de que algo ruim pode acontecer a qualquer momento", complementa.

Esse cenário atinge de forma severa crianças e adolescentes. A introdução precoce de smartphones e o tempo excessivo de tela estão criando uma geração hiperestimulada, que apresenta dificuldades de foco e sintomas de estresse profundo, muitas vezes mascarados sob o uso da tecnologia. A preocupação excessiva com a imagem perante os outros e a constante validação digital nas redes sociais também alimentam o ciclo ansioso nos mais jovens.

O corpo em alerta e as raízes da crise

Quando a mente não desliga, o corpo cobra a conta. Uma crise de ansiedade pode manifestar sintomas físicos agressivos, frequentemente confundidos com emergências cardiológicas. O paciente pode apresentar taquicardia, respiração ofegante, tensão muscular excessiva, sudorese, hiperidrose (suor extremo nas mãos e pés) e, em casos mais graves de pânico, falta de ar, dormência e a sensação iminente de morte.

Contudo, Jordana Calcing alerta que a crise é apenas o sintoma final de uma carga emocional acumulada, comparando o quadro a um reservatório que transborda. "Muitas vezes, a crise de ansiedade surge de vivências que a pessoa não teve a oportunidade de processar. Ela apenas guardou aquela dor", destaca. Problemas financeiros, lutos não elaborados, traumas do passado e dificuldades de relacionamento agem de forma silenciosa até que o corpo entra em colapso.

Caminhos para o controle

Embora os sintomas sejam assustadores, a ansiedade patológica tem tratamento. O primeiro passo, de forma emergencial, é a retomada do controle fisiológico. A psicóloga recomenda que, diante de uma crise, a pessoa tente mudar o foco visual, busque contato com o ambiente externo e realize a respiração diafragmática (inspirando profundamente e expirando devagar) para sinalizar ao cérebro que o perigo não é real.

Para a manutenção da saúde mental e a prevenção do transtorno, mudanças de hábitos são essenciais. A higiene do sono é uma das principais recomendações: é fundamental desconectar-se de telas e celulares pelo menos uma hora antes de ir para a cama.

O movimento físico também age como um remédio natural. "A prática de exercícios físicos é crucial porque libera ocitocina e dopamina, substâncias que diminuem os sintomas ansiosos e ajudam o indivíduo a se autorregular", aconselha Jordana.

Por fim, a especialista reforça que o acompanhamento psicológico é indispensável para identificar as causas profundas da ansiedade e, quando necessário, a intervenção médica com suporte psiquiátrico deve ser buscada. A automedicação, prática comum entre pessoas que buscam alívio rápido, é fortemente desencorajada, pois mascara o problema e pode gerar dependência sem tratar a raiz do sofrimento.


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